O tabuleiro político do MA em setembro: alianças, ameaças e o xadrez das urnas de 2026
Setembro de 2026 entrou para a história política do Maranhão como um dos meses mais intensos da pré-campanha eleitoral. Em menos de uma semana, o cenário que parecia relativamente estável sofreu abalos que podem redefinir a correlação de forças para as eleições de outubro. Entre declarações de peso de um ex-governador, um suposto plano de assassinato contra candidatos e a crise dos ferryboats, o tabuleiro político maranhense está em ebulição.
O peso do apoio de Lobão
O ex-senador e ex-governador Edison Lobão — uma das vozes mais respeitadas — sacudiu o jogo ao declarar voto em Hilton Gonçalo (Mobiliza) e Roseana Sarney (MDB) para as duas vagas do Senado. Lobão não escolheu meia dúzia de palavras: ele afirmou que o Maranhão precisa “fazer a coisa certa” e endossou Orleans Brandão (MDB) para o governo, além de indicar nomes para deputado estadual (Francisco Nagib) e federal (Vinicius Ferro).
O gesto tem peso histórico. Lobão, que foi senador e governador, carrega décadas de experiência e mantém trânsito em Brasília e nos municípios. O apoio a Hilton e Roseana sinaliza uma costura política que pode atrair outros líderes conservadores e moderados para o palanque do MDB, ampliando a base de Orleans na corrida ao Palácio dos Leões.
O clima de tensão nas campanhas
Paralelamente, a campanha do candidato ao governo Orleans Brandão (MDB) foi abalada pela notícia de um suposto plano de assassinato que teria como alvos o próprio Orleans, a candidata ao Senado Roseana Sarney, o deputado federal Hildo Rocha (MDB) e o prefeito de São José de Ribamar, Júnior Viana (PL). A informação, veiculada pela Band Maranhão, levou a assessoria de Orleans a se manifestar com “extrema preocupação”, pedindo providências imediatas às autoridades.
Apesar da gravidade, a equipe do candidato informou que a agenda de campanha será mantida. Uma denúncia dessa natureza, se confirmada, pode ter repercussões profundas no processo eleitoral — mas também pode ser lida como reflexo do nível de tensão que tomou conta da política local.
Avanço de Weverton e a força do grupo petista
Enquanto isso, o senador Weverton Rocha (PDT) — candidato à reeleição — segue consolidando apoios. Em Caxias, nesta semana, ele percorreu a cidade ao lado de lideranças locais, reforçando a aliança com o presidente Lula e destacando seu trabalho na saúde pública. A caminhada em Caxias encerrou uma semana que o campo progressista considera positiva, com adesões de vereadores e grupos políticos que antes estavam indefinidos.
O senador aposta no capital político herdado da gestão de Flávio Dino e na aliança com o governo federal para crescer nas pesquisas. Com a máquina federal a seu favor e uma base municipalista forte, Weverton se consolida como um dos nomes mais competitivos para o Senado.
Enquanto isso, o governador Carlos Brandão (PSB) enfrenta desgaste com a crise dos ferryboats. A morte do jovem Jemerson Felipe, de 28 anos, em Pinheiro, gerou comoção e levou Brandão a convocar uma reunião emergencial neste domingo (13). O anúncio de reforço na frota com as embarcações São Miguel e São Rafael tenta conter o desgaste, mas o incidente expõe fragilidades históricas no transporte aquaviário entre São Luís e a Baixada Maranhense.
O xadrez do Senado: duas vagas, muitos candidatos
Com duas vagas em jogo no Senado, o cenário é de fragmentação. Weverton (PDT) busca a reeleição com apoio de Lula e parte da base diniosta. Roseana Sarney (MDB) e Hilton Gonçalo (Mobiliza) formam a chapa apoiada por Lobão e Orleans. Eliziane Gama (PSD) e o deputado federal Pedro Lucas (PL) — que foi cassado em decisão recente do TRE-MA — completam o leque de candidatos de peso. A deputada federal Amanda Gentil (PSOL) aparece como a única candidatura da esquerda mais progressista.
O que se desenha é uma disputa acirrada, em que cada movimento de bastidores pode decidir quem fica com as cadeiras no Congresso. Os próximos dias serão decisivos para medir se os apoios declarados se convertem em votos — e se o clima de tensão dará lugar a uma campanha mais focada em propostas.
O Ludovico



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