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Bahia terá assento em conselho de minerais críticos, que deve se reunir em até dez dias

Bahia terá assento em conselho de minerais críticos, que deve se reunir em até dez dias

Bahia terá assento em conselho de minerais críticos, que deve se reunir em até dez dias

O governo federal prometeu realizar, em até dez dias, a primeira reunião do Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (Cimce). A Bahia ocupará o assento destinado aos estados e ao Distrito Federal no plenário do Cimce.

O colegiado foi criado pela lei que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE), sancionada nesta quarta (16/9) pelo presidente Lula (PT).

No mesmo dia, o Lula assinou o decreto que regulamenta a estrutura, o funcionamento e as competências do conselho. Vinculado à Presidência da República e presidido pela Casa Civil, o Cimce terá sua secretaria-executiva no Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Embora a data ainda não esteja formalmente marcada, a intenção é acelerar a definição das regras para evitar novas operações como a da Serra Verde, em Goiás, adquirida pela norte-americana USA Rare Earth com participação posterior do governo dos Estados Unidos.

A ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, associou a instalação do conselho à disputa pela soberania sobre os recursos minerais brasileiros e criticou adversários que defendem uma aproximação maior com os EUA.

“A mina em Goiás já foi vendida para os Estados Unidos e há candidatos que já disseram que vão entregar o resto”, disse nesta quarta, durante evento de sanção do marco legal.

Responsabilidades do conselho

Na reunião inaugural, o conselho deverá aprovar seu regimento interno e começar a discutir a lista dos minerais que serão classificados como críticos ou estratégicos pelo Brasil. Se houver consenso entre os integrantes, a relação poderá ser aprovada já no primeiro encontro, por meio de resolução do próprio Cimce.

Também começará a ser desenhada a regulamentação para a triagem de mudanças de controle societário, vendas de ativos, cessões de direitos minerários e outros negócios envolvendo minerais estratégicos.

Esses critérios não foram detalhados no decreto assinado pelo presidente Lula e terão de ser definidos pelo conselho.

A intenção é criar mecanismos que permitam ao Executivo avaliar operações como a aquisição da Serra Verde.

Segundo representantes do governo, as regras deverão estabelecer quais operações serão submetidas ao Cimce, os critérios de relevância e os procedimentos para homologação.

A equipe também pretende discutir medidas contra uma prática considerada prejudicial: a manutenção, por anos, de autorizações de pesquisa e lavra sem avanço efetivo dos projetos.

A ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, afirmou que a política exigirá coordenação entre diferentes áreas do governo e da sociedade.

“Tudo isso precisa dialogar com financiamento, com meio ambiente, com o campo acadêmico, com transição energética, com desenvolvimento regional e com inserção internacional do nosso país. E é por essa razão que o Conselho vai contar, além de todos os ministérios envolvidos, que serão 13, também com representação dos governos estaduais, municipais, do setor industrial, do setor de mineração e da academia”, disse.

Bahia terá assento dos estados

O representante da Bahia e, consequentemente, dos estados e DF, será Paulo Guimarães, diretor-presidente da BahiaInveste. Com exceção dos representantes do governo federal, os demais integrantes do Cimce e seus suplentes terão mandato de dois anos.

A escolha ocorre em meio à expansão dos projetos de minerais críticos no estado. A Bahia reúne ativos de terras raras, vanádio, grafita, níquel, cobre e silício em diferentes estágios de desenvolvimento.

Entre os principais projetos emergentes estão Monte Alto e Sulista, desenvolvidos pela australiana Brazilian Rare Earths na região de Jequié.

A companhia identificou elementos utilizados em ímãs permanentes, como neodímio, praseodímio, disprósio e térbio. Os projetos, porém, ainda estão em fase de estudos e testes, sem produção comercial.

O estado também abriga a mina Maracás Menchen, da Largo, que produz vanádio; a mina Santa Rita, da Atlantic Nickel, com níquel, cobre e cobalto associados; e as operações de cobre da Ero Copper no Vale do Curaçá. Na grafita, destacam-se a mina Boa Sorte, da Graphcoa, e o projeto Santa Cruz, da South Star Battery Metals.

Outro ativo estratégico é o projeto de silício da Homerun Resources, que pretende integrar no estado as etapas de extração e processamento até a produção de vidro solar.

O assento dos municípios será ocupado por Marco Antônio Lage, prefeito de Itabira (MG) e presidente da Associação dos Municípios Mineradores de Minas Gerais e do Brasil (Amig).

O setor privado será representado pelo presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, e pelo diretor de Relações Institucionais do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Pablo Cesário. O plenário terá ainda um representante de instituições de ensino superior.

Presidido pela Casa Civil, o plenário do Cimce reunirá ainda o Gabinete de Segurança Institucional e os ministérios de Minas e Energia; Agricultura e Pecuária; Gestão e Inovação; Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços; Fazenda; Planejamento e Orçamento; Relações Exteriores; Ciência, Tecnologia e Inovação; Defesa; Meio Ambiente; e da Secretaria-Geral da Presidência.

Embora o conhecimento técnico sobre mineração esteja concentrado no Ministério de Minas e Energia (MME), a secretaria-executiva do Cimce ficará com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

De acordo com representantes do governo, a decisão busca sinalizar que a nova política não ficará limitada à extração mineral.

O objetivo central será promover o beneficiamento e a industrialização dos minerais no Brasil, com agregação de valor, produção de componentes e desenvolvimento de novas cadeias tecnológicas.

O MDIC também foi escolhido por sua experiência na coordenação de colegiados interministeriais, como a Câmara de Comércio Exterior (Camex) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI).

O MME continuará responsável pelas análises técnicas relacionadas à geologia, pesquisa, lavra e transformação mineral e participará das decisões do conselho.

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