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Brasil, passivo e sem ideias, empata com a Austrália no último lance

Brasil, passivo e sem ideias, empata com a Austrália no último lance

Brasil, passivo e sem ideias, empata com a Austrália no último lance

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O Brasil esqueceu que não é mais o Brasil e não se lembrou que a Austrália não é mais a Austrália e foi para o jogo em Brisbaie com aquela certeza marota que venceria o jogo a qualquer momento. Só acordou depois de sofrer o gol de falta de Irankunda, aos 22 minutos do segundo tempo  – bela cobrança, ajudada pela postura estática de Hugo Souza – e conseguiu o empate aos 49 minutos, com uma cabeçada potente de Rayan, em cobrança de escanteio. Um início decepcionante de ciclo para a seleção de Carlo Ancelotti, contra a 25ª no ranking da Fifa.

São muitos os problemas do Brasil, além da passividade. O jogo pelo meio é muito ruim, claro, com a ausência de jogadores com capacidade de armar o jogo. Mateus Pereira, do Cruzeiro, merece uma chance. Sem ninguém apto para a função, a ligação da defesa para o ataque é feita com bolas longas, esticadas. Ou com a aproximação de Danilo Santos, uma boa arma, mas insuficiente.

O jogo fica muito travado pelas pontas e, pior, sem que os jogadores tentem o drible, tão saudoso drible, tão presente no passado do futebol brasileiro. Sem aproximação, sem drible, a postura do adversário fica facilitado. Poderia se recorrer a uma outra antiga arma brasileira, tão antiga que está em desuso: a ultrapassagem dos laterais, mas Matheuzinho, que sabe jogar assim, estava tímido e Douglas Santos, bem, este não sabe. Foi interessante no segundo tempo a reação do bom narrador Luiz Carlos Jr à uma jogada de linha de fundo de Mauro Jr. “Ele é lateral ofensivo”, como se fosse uma novidade. Pensando bem, realmente é, nestes tempos bicudos do futebol brasileiro.

No primeiro tempo, houve apenas uma boa jogada do Brasil, repetindo uma característica mostrada já na Copa. Bruno Guimarães e Endrick pressionaram o jogador australiano com a bola, Endrick tabelou com Estevão, que chutou cruzado, aos 45 minutos. O gol foi anulado corretamente por falta no início da jogada. Foi um momento, o único de afirmação brasileira, que teve em Estevão o seu melhor jogador e Raphinha se movimentando bastante, mas ainda longe do futebol que mostra no Barcelona.

O ponto negativo foi Vinícius Jr, isolado na ponta esquerda. Pior que isso. Desconectado do jogo, como se estivesse ali por acaso. Não se movimentou, não buscou tabelas, foi mesmo uma figura inútil até a substituição por Samuel Lino, aos 19 do segundo tempo. Também entrou Pedro no lugar de Endrick e Douglas Luíz, cinco minutos antes, já havia substituído Bruno Guimarães.

Foi neste período de jogo – coisa de cinco minutos, que o Brasil se aproveitou de espaços deixados pela Austrália e finalizou três vezes na esquerda, falhando com Vinícius, Raphinha e Estevão. Parecia um Brasil mais acordado.

Mas, então, chegou Nestory Irankunda um filho de Burundi nascido em campo de refugiados na Tanzânia, há 20 anos. Joga no Sporting de Portugal. Toda esta cultura globalizada resultou em cobrança de falta na esquerda. Passou pela barreira e pelo goleiro Hugo Souza, que não saltou, apenas deu dois passos laterais. Hugo Souza deixou de ir à Copa por falhar feio contra o Japão, naqueles 3 x 2. Vejamos se terá novas chances, pois também foi mal em dois cruzamentos na área, um deles quase resultando em gol olímpico.

Ancelotti fez mais três substituições: Mauro Jr por Douglas Santos, Jair por Vitor Reis e Rayan no lugar de Estevão. O Brasil passou a dominar e sufocar a Austrália. Até Marquinhos e Jair virara atacantes, com Matheuzinho ficando como zagueiro. Foram muitos cruzamentos, até que no último lance do jogo, em cobrança de escanteio, Rayan cabeceou para o chão. E o Brasil empatou.

Os dois adversários se enfrentarão novamente dia 29, terça-feira. Estamos vendo o nascimento de um clássico? Uma nova rivalidade? Nova realidade, já sabemos que sim.

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