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A transição energética precisa de soluções viáveis

A transição energética precisa de soluções viáveis

A transição energética precisa de soluções viáveis

A discussão sobre transição energética costuma ser dominada por um debate entre combustíveis fósseis e energias renováveis. Embora essa visão seja importante para definir objetivos de longo prazo, ela muitas vezes ignora um aspecto fundamental: a velocidade da transformação depende da existência de soluções viáveis, acessíveis e capazes de serem implementadas em larga escala.

O desafio atual não é apenas desenhar o sistema energético do futuro, mas reduzir emissões agora. Dessa maneira, a pergunta que precisa ser respondida deixou de ser “qual será a energia do futuro?” e passou a ser “como reduzir imediatamente emissões de carbono sem comprometer competitividade, segurança e acesso à energia?”. É justamente nesse espaço que o gás liquefeito de petróleo (GLP) e o BioGL ganham relevância.

O GLP possui um potencial, ainda pouco explorado, como ferramenta prática de descarbonização em setores nos quais a eletrificação enfrenta obstáculos para substituir a queima de combustíveis extremamente poluentes.

Indústrias de pequeno e médio porte, agronegócio, estabelecimentos comerciais e operações em regiões remotas muitas vezes não dispõem de alternativas viáveis de curto prazo para substituir combustíveis mais intensivos em carbono. Nestes cenários, o GLP surge como uma solução imediata e logisticamente acessível.

Já o BioGL é uma “evolução do GLP”. Tem absolutamente a mesma composição química do GLP, as mesmas moléculas, porém, produzido através de fontes renováveis e com menor produção de CO2 quando elaborado.

O BioGL utiliza a mesma infraestrutura, mantém a performance e os níveis de segurança do GLP para quem opera e consome. Isso significa dizer que o aumento da descarbonização pode acontecer sem a necessidade de substituir milhares de equipamentos ou realizar investimentos bilionários. Em outras palavras, o BioGL representa uma forma de acelerar ainda mais a transição energética aproveitando ativos já instalados para o GLP.

Esse conhecimento será cada vez mais importante à medida que empresas avancem em seus compromissos ESG e metas de neutralidade de carbono.

Essa visão ganhou um marco importante em abril deste ano, com a chegada ao Brasil da primeira importação de BIOGL, primeiro Gás Liquefeito com a mesma molécula e eficiência energética do GLP, porém renovável e com menor geração de CO2 na sua produção.

A operação trouxe ao país uma carga piloto de aproximadamente 1.700 toneladas proveniente da Europa. Esse movimento representa um passo concreto para a construção de um mercado de combustíveis renováveis capaz de acelerar a descarbonização do planeta.

A transição energética dificilmente será resultado de uma única tecnologia ou de uma única fonte de energia. Ela será construída por um conjunto de soluções capazes de reduzir emissões em diferentes velocidades e realidades econômicas.

Por isso, talvez a principal contribuição do GLP e do BioGL não seja ocupar o centro do debate energético, mas tornar a transição mais rápida, acessível e inclusiva. Afinal, a melhor solução para a descarbonização é aquela que consegue gerar resultados concretos hoje enquanto prepara o caminho para o futuro.

Claudio Azevedo é diretor de Supply e Excelência Operacional da Supergasbras.

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