Lula reúne 744 empresários em SP em tentativa de aproximação com setor produtivo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu 744 empresários e representantes do setor produtivo na noite de sexta-feira, 25, em São Paulo, em um dos maiores encontros da campanha de reeleição com o empresariado.
O jantar, realizado no Hotel Tivoli Mofarrej, em São Paulo, foi organizado pelo pelo coordenador do grupo Prerrogativas, o advogado Marco Aurélio de Carvalho, e o presidente do Conselho de Administração do Grupo Esfera Brasil, João Camargo, e
De acordo com o advogado, cerca de 95% dos participantes eram empresários.
Continua após a publicidade
A lista incluiu representantes de setores como construção civil, petróleo e gás, seguros e resseguros, indústria, mineração, energia, tecnologia, varejo, educação e saúde.
Entre as empresas e entidades representadas estavam Vale, Cosan, Porto Seguro, iFood, Uber, Airbnb, Petz, Magazine Luiza, Unica, Copersucar, Instituto Combustível Legal e Febraban.
A reunião também contou com executivos de grandes bancos e empresas, além de dirigentes de hospitais e universidades.
Continua após a publicidade
Entre os presentes estavam Gustavo Pimenta, presidente da Vale, Milton Maluhy Filho, CEO do Itaú Unibanco, e Joesley Batista, da JBS.
Governo levou ministros para conversar com empresários
A estratégia não se limitou ao discurso presidencial. Mais de dez ministros e integrantes do governo participaram do jantar e circularam entre os convidados, segundo Carvalho.
Aloizio Mercadante, presidente do BNDES, Tarciana Medeiros, do Banco do Brasil, e Carlos Vieira, da Caixa, também estiveram no encontro. Ministros de áreas como Fazenda, Casa Civil, Planejamento, Indústria e Comércio, Educação, Saúde e Gestão participaram das conversas com os representantes do setor produtivo.
Continua após a publicidade
Em uma das mesas, segundo Carvalho, estavam Esther Dweck, ministra da Gestão, Miriam Belchior, da Casa Civil, Mercadante e representantes do setor empresarial. Entre eles estavam Marcos de Moraes, da Trisul, Jorge Cury, ligado ao Secovi, e um representante da Vale.
O formato foi pensado para permitir que os empresários também falassem diretamente com integrantes do governo. Carvalho afirma que Lula fez questão de dividir seu tempo e abrir espaço para manifestações do setor privado.
“É uma oportunidade muito rica. Oferecemos ao país uma oportunidade de diálogo entre o setor produtivo e o governo”, afirmou o vice-presidente Geraldo Alckmin durante o encontro.
Continua após a publicidade
Segurança jurídica entrou no centro da conversa
A tentativa de aproximação ocorre em torno de uma pauta cara ao empresariado: previsibilidade para investimentos e segurança jurídica. Em seu discurso, Lula procurou transmitir aos convidados a mensagem de que não deveriam ter receio de um eventual novo mandato.
Carvalho afirma que a orientação dada aos empresários foi a de avaliar a capacidade de Lula de garantir estabilidade institucional e condições para a continuidade dos investimentos.
O ministro Márcio Elias Rosa também defendeu a política industrial e a proteção do setor produtivo. Segundo a Agência Estado, ele afirmou que o país não pode abrir mão de uma política industrial e associou investimentos privados à segurança jurídica.
Continua após a publicidade
A presença de representantes de empresas que tradicionalmente não são identificadas com o eleitorado petista foi destacada por Carvalho como um dos sinais de que o encontro superou as expectativas da organização.
Prerrogativas ampliou atuação para além do Judiciário
O encontro também marca uma ampliação da atuação política do Grupo Prerrogativas. Criado como um grupo de advogados, o movimento passou nos últimos anos a participar de articulações políticas e institucionais.
Carvalho diz que sua relação com Alckmin, por exemplo, ajudou a aproximar o vice-presidente de Lula. Segundo ele, os dois foram colocados em contato pelo grupo em um jantar de fim de ano, no restaurante Rubaiyat, há cerca de cinco anos.
O Prerrogativas também participou da articulação política nas eleições anteriores. Em 2025, o grupo chegou a lançar a candidatura da ministra Simone Tebet ao Senado, segundo Carvalho.
Agora, a aposta é em uma aproximação mais ampla com o setor privado. O advogado afirma que o objetivo do encontro não era apenas reunir empresários simpáticos ao governo, mas colocar Lula diante de segmentos que historicamente mantiveram maior distância do PT.
Para Carvalho, a resposta obtida com a presença de 744 convidados mostrou que havia interesse desse público em ouvir diretamente o presidente e seus ministros.


