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Mãe de Eduarda Campopiano recebe BPC há quase oito anos

Mãe de Eduarda Campopiano recebe BPC há quase oito anos

Mãe de Eduarda Campopiano recebe BPC há quase oito anos

A deputada estadual eleita Eduarda Campopiano (PL-SP) construiu a campanha criticando programas de assistência social voltados a mulheres e a minorias. A própria família dela, no entanto, depende de um desses programas. A artesã Débora Campopiano, mãe da deputada, recebe o Benefício de Prestação Continuada (BPC) desde janeiro de 2019, segundo dados do Portal da Transparência.

A informação foi publicada pela coluna de Lauro Jardim, em O Globo, e confirmada pelo UOL. O benefício é pago pelo INSS e garante um salário mínimo por mês.

Quem é Eduarda Campopiano

Ela foi a deputada estadual mais votada de São Paulo. Recebeu 1.956.238 votos e assume o mandato na Assembleia Legislativa paulista em 2027.

Antes disso, foi eleita vereadora de Praia Grande em 2024, com 3.583 votos, e tomou posse em 2025. A trajetória política começou nas redes sociais, aos 18 anos, com oposição ao feminismo e ao aborto.

A deputada se apresenta como a “maior inimiga das feministas”. Entre as bandeiras que defende estão a oposição às cotas raciais e o acesso de mulheres a armas de fogo. Ela declarou ao UOL que sua legislatura na Alesp será “muito mais ideológica” do que foi na Câmara Municipal.

Por que o BPC da mãe de Eduarda Campopiano virou caso

O primeiro ponto é o critério de idade. Débora Campopiano tem 59 anos. O BPC atende idosos com 65 anos ou mais e pessoas com deficiência de qualquer idade.

Como não se enquadra no critério etário, ela só poderia receber o benefício pela modalidade destinada a pessoas com deficiência. Até agora, não há informação pública sobre algum impedimento de longo prazo que justifique o enquadramento.

O segundo ponto é a renda. O BPC exige renda mensal por pessoa da família de até um quarto do salário mínimo, hoje cerca de R$ 405, além de inscrição no CadÚnico.

Eduarda Campopiano recebe R$ 15.193,35 por mês como vereadora de Praia Grande, valor fixado pela Câmara Municipal em 2021. A assessoria da deputada não informou se ela mora com a mãe.

A resposta importa. Se a deputada integra o grupo familiar considerado pelo INSS, o salário dela entraria na conta e, em tese, ultrapassaria o limite exigido para o benefício.

O que a família diz e o que ficou sem resposta

Débora Campopiano é artesã. Produz bonecas nos estilos Waldorf e russo, mantém um ateliê e administra um perfil no Instagram com mais de 28 mil seguidores. Também tem um canal no YouTube com aulas.

Ela vende cursos. Em uma publicação de 2023, um dos workshops apareceu por R$ 67 à vista ou em 12 parcelas de R$ 6,82. Em outra, de 2025, o convite trazia parcelamento em até quatro vezes sem juros.

Eduarda aparece em uma publicação de agosto de 2023, no perfil da mãe, convidando alunas para um curso. Os veículos que apuraram o caso procuraram a assessoria para responder quatro perguntas.

As perguntas eram: se a deputada mora com a mãe, como é composto o grupo familiar declarado ao INSS, se Débora tem deficiência que justifique o benefício e se a renda com a venda de cursos foi informada ao órgão. Não houve resposta até a publicação das reportagens.

Vale registrar um ponto de equilíbrio. As informações conhecidas até agora não demonstram, por si só, irregularidade na concessão ou na manutenção do benefício. A análise depende da natureza da atividade, dos rendimentos efetivos e das condições individuais da beneficiária.

Os projetos copiados são outra frente de desgaste

Na mesma semana, a BBC News Brasil mostrou que projetos apresentados por Eduarda quando era vereadora reproduzem textos de outras casas legislativas.

Em dois documentos, a adaptação manteve referências a lugares diferentes de Praia Grande. Um programa de educação financeira fala em beneficiar “cidadãos paulistanos”. Uma proposta sobre multas pelo consumo de maconha destina recursos a organizações do município da Serra, no Espírito Santo, a mais de 700 quilômetros de distância.

A BBC comparou os 20 projetos da vereadora com documentos de outras câmaras e identificou correspondências textuais em pelo menos 14 deles. Entre os textos reaproveitados estão propostas do vereador Lucas Pavanato (PL), seu aliado, e da deputada estadual Ana Campagnolo (PL-SC).

O que esperar daqui para frente

Eduarda Campopiano assume o mandato em 2027 e já disse que pretende intensificar o que chama de combate cultural. O caso do BPC tende a acompanhá-la até lá.

Se a assessoria responder às perguntas do INSS, a discussão muda de terreno e passa a depender de documentos. Sem resposta, o tema segue no campo político, que é onde ele nasceu.

O debate sobre assistência social já tem material no blog. O salário mínimo e as promessas de campanha mostram como o benefício mexe com a renda de quem mais precisa.

O caso foi revelado por O Globo e apurado também pelo UOL, pela BBC News Brasil e pela Revista Fórum.

Foto: Divulgação/Câmara Municipal de Praia Grande

O Ludovico

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