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Entidades temem que vitória de Flávio Bolsonaro repita cortes que paralisaram a assistência social e a cultura

Entidades temem que vitória de Flávio Bolsonaro repita cortes que paralisaram a assistência social e a cultura

Entidades temem que vitória de Flávio Bolsonaro repita cortes que paralisaram a assistência social e a cultura

Lideranças comunitárias, dirigentes de entidades culturais e responsáveis por organizações de assistência social em todo o país acompanham com apreensão o avanço da candidatura de Flávio Bolsonaro. O temor é concreto e tem endereço: a repetição, em escala federal, do que ocorreu no governo do pai, Jair Bolsonaro, quando os repasses para essas áreas foram bloqueados, contingenciados ou simplesmente deixaram de existir nos orçamentos.

O receio dessas entidades, supostamente, não é eleitoral. É operacional. Quem trabalha com assistência social sabe o que acontece quando o dinheiro não chega: o serviço não atrasa, ele acaba. E quem depende dele não tem plano B.

O que aconteceu no governo anterior

O governo Jair Bolsonaro contingenciou R$ 31 bilhões em recursos federais ao longo do mandato, segundo levantamento do Instituto de Estudos Socioeconômicos. A educação sofreu corte de R$ 5,83 bilhões em uma única investida, com os recursos para custeio e investimento caindo para R$ 17,793 bilhões. E no apagar das luzes de 2022, já depois da eleição, um novo bloqueio de R$ 5,7 bilhões comprometeu o funcionamento de serviços que estavam em execução.

Na assistência social, o golpe foi mais profundo e atingiu exatamente a ponta. A manifestação das entidades que operam o Sistema Único de Assistência Social registrou cortes que chegaram a quase 100% em determinadas ações. Em números, a verba destinada à área caiu de cerca de R$ 3 bilhões para aproximadamente R$ 900 milhões. É a diferença entre uma rede funcionando e uma rede desmontada.

Para as entidades que executam políticas públicas em parceria com o poder público, esses bloqueios significam uma coisa muito específica: contratos de repasse suspensos no meio do caminho, equipes técnicas demitidas, atendimentos interrompidos e famílias que perdem o único serviço que as alcançava. É por isso que o quadro atual é lido com tanta preocupação.

O que mudou a partir de 2023

Com o governo Lula, a chave girou. Recursos que estavam retidos foram liberados, a rede voltou a receber repasses e políticas estruturantes de cultura e de assistência social saíram do papel, incluindo a retomada do financiamento permanente para os municípios aplicarem diretamente em projetos culturais e o reforço do Sistema Único de Assistência Social.

Não se trata apenas de dinheiro. Trata-se de previsibilidade. Uma entidade que sabe que o recurso vai chegar contrata equipe, planeja o ano, mantém a porta aberta. Uma entidade que não sabe não consegue nem manter o quadro de funcionários.

O que está em jogo

O que essas lideranças descrevem é um cenário em que milhares de trabalhos sociais seriam paralisados e milhões de pessoas seriam impactadas de forma negativa: idosos que perdem o centro de convivência, crianças e adolescentes que ficam sem contraturno, famílias que deixam de receber acompanhamento técnico, pontos de cultura que fecham, artistas locais que perdem o único espaço em que conseguiam produzir.

Boa parte desse trabalho é feito por organizações da sociedade civil, em parceria com prefeituras e com o governo federal. São entidades que existem há décadas, que conhecem o território e que funcionam com repasse público. Quando o repasse falha, a estrutura que desaba não é a do governo. É a da comunidade.

É esse o ponto que faz o alerta ser tão direto. Quem acompanha o dia a dia dessas organizações não está discutindo orçamento em abstrato. Está olhando para a fila de pessoas que dependem de um atendimento que pode simplesmente deixar de existir.

O que dizem os números e o que isso significa na prática

Um corte de 70% no orçamento da assistência social não significa que o serviço fica 30% pior. Significa que ele deixa de atender a maior parte de quem atendia. É aritmética cruel: menos recurso, menos equipe, menos atendimento, mais gente desassistida.

E o mesmo raciocínio vale para a cultura. Quando o financiamento é interrompido, o que fecha não são apenas salas de espetáculo. Fecham oficinas em periferias, projetos de música para adolescentes, bibliotecas comunitárias, grupos de teatro de rua. A cultura é a primeira área a ser cortada e a última a ser reconstruída.

A escolha que se apresenta em outubro de 2026 é, portanto, menos sobre discurso e mais sobre consequência. Quem depende de política pública de assistência social e de cultura já viveu o que acontece quando o governo federal fecha a torneira. E não quer viver de novo.

Com informações de levantamento do INESC, da manifestação das entidades do SUAS, do G1 e de reportagens da Agência Pública.

O Ludovico

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