Linhão no Maranhão: obra chinesa de R$ 18 bi avança
O Maranhão será o ponto de partida de uma das maiores obras de transmissão de energia em construção no Brasil. A estatal chinesa State Grid lidera o empreendimento estimado em R$ 18 bilhões. O linhão no Maranhão começa na Subestação Graça Aranha, no interior do estado, e termina na Subestação Silvânia, em Goiás.
O corredor tem cerca de 1.468 quilômetros de extensão e vai atravessar 42 municípios entre Maranhão, Tocantins e Goiás. A obra integra a expansão do Sistema Interligado Nacional e foi arrematada pela State Grid no Leilão de Transmissão nº 2/2023, o maior da história do setor.

O que é o linhão que começa no Maranhão
O projeto transporta a energia produzida por fontes renováveis no Norte e no Nordeste para os grandes centros consumidores do país. Segundo o Ministério de Minas e Energia, a infraestrutura terá centenas de torres metálicas, cabos de alta tensão, equipamentos de compensação e estações conversoras.
A Subestação Graça Aranha será uma das extremidades do corredor. Ela funciona como porta de entrada da eletricidade gerada na região e reforça a posição do estado na infraestrutura energética nacional.
Tecnologia UHVDC e o papel do Maranhão
A State Grid vai usar corrente contínua de ultra-alta tensão, a chamada UHVDC, com operação em mais ou menos 800 quilovolts. Esse sistema leva grandes volumes de energia por longas distâncias com perdas elétricas menores.
Na prática, a eletricidade é convertida de corrente alternada para contínua em uma ponta da linha. Depois de percorrer o trajeto, passa por nova conversão para entrar na rede brasileira. A ampliação da energia solar e eólica nessas regiões exige corredores capazes de escoar a produção, como resultado.
Para o Maranhão, a obra reforça o papel de conexão entre a geração do Norte e do Nordeste e os centros que mais consomem energia. A instalação em Graça Aranha consolida o estado como ponto estratégico, portanto, de um sistema que cruza três unidades da federação.
Obras avançam após licenças ambientais
O empreendimento já recebeu autorização ambiental para a instalação da linha principal. As atividades da Subestação Silvânia, em Goiás, começaram em 2025. Já a Subestação Graça Aranha, no Maranhão, recebeu licença para as obras no início de 2026.
Além do efeito energético, a implantação movimenta a economia das regiões atendidas. A construção contrata serviços, transporte de materiais, atividades de construção civil e mão de obra local. O tamanho desse impacto depende das etapas de execução e das contratações da concessionária.
Por que o leilão de 2023 foi histórico
O Leilão de Transmissão nº 2/2023 entrou para a história do setor elétrico. Ele negociou o maior lote já ofertado no país, e a State Grid arrematou o principal deles, com investimento previsto de R$ 18,1 bilhões.
A disputa teve deságio médio alto, ou seja, as empresas aceitaram receber menos do que o teto definido pelo governo para operar a linha. Esse movimento barateou o custo final da energia para o consumidor, como resultado.
O que esperar daqui para frente
O prazo de conclusão do corredor está previsto para 2030, segundo informações do setor. A operação, no entanto, pode começar antes em trechos específicos, conforme o avanço das obras e das autorizações.
O projeto dialoga com a movimentação econômica registrada no Maranhão, que cresce em ritmo acelerado. Grandes obras de infraestrutura costumam atrair novos negócios e pressionar a demanda por serviços no estado.
Transmissão e energia renovável no Nordeste
O Nordeste lidera a geração de energia eólica e solar no país. Esse crescimento cria uma exigência nova, que é levar a eletricidade do interior para os centros que consomem, além disso. Os corredores de transmissão resolvem esse gargalo.
Sem linhas suficientes, usinas ficam paradas mesmo com vento e sol de sobra, um problema conhecido como corte de geração. O linhão no Maranhão entra nesse contexto, por sua vez, como uma saída estrutural para escoar a produção.
O que a obra muda para os municípios
Os 42 municípios atravessados pela linha convivem com frentes de trabalho temporárias. A construção civil costuma contratar mão de obra da região e movimentar o comércio local durante as etapas mais pesadas. Depois de pronta, a operação exige equipes menores e permanentes de manutenção.
Para o estado, o ganho principal é estratégico. O Maranhão passa a integrar um corredor de ultra-alta tensão que cruza três unidades da federação, contudo, sem a obrigação de consumir toda a energia que cruza seu território.
Com informações de Diego Emir e CNN Brasil.
O Ludovico



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