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A era do Irã começou, diz vice-presidente após recuo de Trump

A era do Irã começou, diz vice-presidente após recuo de Trump

A era do Irã começou, diz vice-presidente após recuo de Trump

Título: A nova era do Irã começa, afirma vice-presidente após recuo de Trump

Mohammad Reza Aref, primeiro vice-presidente do Irã. Foto: reprodução

Logo após o anúncio de um cessar-fogo de duas semanas entre os Estados Unidos e o Irã, o governo iraniano passou a interpretar a trégua como uma conquista política e militar, em meio a uma batalha de narrativas que envolve também Donald Trump e autoridades de Washington. Diante das incertezas sobre a implementação do acordo, Teerã busca reforçar a ideia de que impôs suas condições ao adversário, enquanto os EUA insistem que saíram do confronto com uma “vitória total”.

A resposta do Irã foi imediata. O primeiro vice-presidente do país, Mohammad Reza Aref, declarou nas redes sociais que “a nova era do Irã” teve início, indicando um novo período de influência geopolítica para Teerã. Seguindo a mesma linha, o chefe do Judiciário, Mohsen Ejei, afirmou que o país “demonstrou ser firme e invencível”.

O Conselho Supremo de Segurança Nacional foi ainda mais incisivo ao afirmar, em comunicado oficial, que o Irã impôs ao inimigo uma “derrota indiscutível, histórica e esmagadora” em uma guerra descrita como “covarde, ilegal e criminosa”. O órgão também alegou que o país “alcançou uma grande vitória e obrigou a América criminosa a aceitar sua própria proposta de 10 pontos”.

De acordo com o comunicado, Washington teria aceitado uma proposta iraniana que inclui um cessar-fogo permanente, a retirada das forças de combate americanas da região, a suspensão das sanções e a manutenção do controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz.

O texto ainda relata que, ao perceber que não conseguiria vencer a guerra, o inimigo buscou contato com Teerã e solicitou uma trégua. A versão oficial do Irã sustenta que “nenhum dos principais objetivos do inimigo foi alcançado, e cerca de 10 dias após o início da guerra, o inimigo percebeu que não teria capacidade de vencê-la”.

Do lado americano, Trump adotou um tom semelhante. Em entrevista à AFP, ele afirmou que os Estados Unidos obtiveram uma “vitória total e absoluta”. “Vitória total e absoluta, 100%. Não há dúvidas sobre isso”, disse.

O presidente também assegurou que a questão nuclear iraniana estaria resolvida. “Isso estará perfeitamente controlado, ou eu não teria aceitado o acordo”, declarou, sem especificar os mecanismos que garantiriam essa fiscalização.

Apesar da retórica triunfante de ambas as partes, o cessar-fogo ainda enfrenta sinais de fragilidade. Relatos de novos ataques com mísseis e drones no Golfo Pérsico colocaram em xeque a eficácia imediata da trégua. Sirenes voltaram a soar em Israel, enquanto Kuwait, Catar e Emirados Árabes Unidos registraram novos episódios de violência.

Além disso, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que o cessar-fogo não se estende ao Líbano, onde os confrontos com o Hezbollah persistem.

Nas ruas, o impacto humano da guerra é mais significativo do que a disputa por narrativas. Segundo dados mencionados no texto, pelo menos 1.665 civis morreram no Irã, incluindo 244 crianças. Em Teerã, os moradores descrevem um sentimento de alívio cauteloso. “A noite passada foi realmente assustadora”, disse um habitante identificado como Nima ao The New York Times.

O correspondente Ali Hashem, da Al Jazeera, resumiu o sentimento da população: “As pessoas estão contentes por retomarem suas vidas normais, mas temem que isso possa se repetir a qualquer momento”.

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