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A nova razão para abandonar os combustíveis fósseis não é o clima

A nova razão para abandonar os combustíveis fósseis não é o clima

A nova razão para abandonar os combustíveis fósseis não é o clima

NESTA EDIÇÃO. Relatório de Santa Marta associa diretamente a dependência dos combustíveis fósseis à vulnerabilidade econômica e geopolítica.

Países propõem alinhamento entre produtores e consumidores para criação de novos fluxos comerciais, além de redirecionamento de subsídios.

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EDIÇÃO APRESENTADA POR:

Durante anos, o principal argumento para abandonar petróleo, gás e carvão foi a necessidade de conter o aquecimento global. O relatório  (.pdf) da Conferência de Santa Marta sugere que essa narrativa está mudando.
 
Os governos da Colômbia e dos Países Baixos apresentaram na terça (23/6) os resultados da Primeira Conferência sobre a Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis (TAFF-1), realizada em Santa Marta, na Colômbia, no final de abril.
 
A entrega ocorreu em Londres, durante a semana do clima, e busca espaço no mapa do caminho que está sendo elaborado pela presidência brasileira da COP30.
 
O documento associa diretamente a dependência dos combustíveis fósseis à vulnerabilidade econômica e geopolítica dos países, citando a volatilidade dos mercados de energia e as tensões internacionais como fatores que reforçam a urgência da transição. 
 
A mensagem é clara: deixar os fósseis não é apenas uma agenda climática, mas também uma estratégia de soberania, segurança energética e resiliência econômica.
 
“A entrega do Relatório Santa Marta à Presidência da COP30 marca um passo importante para abordar tanto a crise climática quanto a insegurança energética, que estão profundamente interligadas com a dinâmica dos mercados de combustíveis fósseis”, disse a ministra do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Colômbia, Irene Vélez Torres.
 
Para Torres, a transição para longe dos combustíveis fósseis deixou de ser uma aspiração distante e ocupa um papel central no planejamento econômico de nações expostas a riscos geopolíticos, energéticos e climáticos.
 
Alinhar países produtores e consumidores para criar fluxos comerciais progressivamente livres de combustíveis fósseis; evitar que a transição reproduza desigualdades e impulsione novas formas de extrativismo; redirecionar subsídios e financiamento, além de garantir mais transparência sobre para onde vai o dinheiro, são algumas das propostas.
 
O documento deve ser uma das últimas contribuições da atual gestão colombiana às discussões climáticas. A vitória de um aliado de Donald Trump nas eleições do país latino-americano tende a colocar o pé no freio na campanha para livrar o mundo dos combustíveis fósseis.

Nesta quarta, o candidato de esquerda Iván Cepeda concedeu derrota para seu oponente Abelardo de la Espriella, três dias após a eleição presidencial na Colômbia. (G1) 

  • O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, foi um dos primeiros líderes mundiais a felicitar o outsider de direita. (BBC)

De la Espriella quer “fracking ao máximo”. Ele fez campanha para impulsionar os investimentos em petróleo e gás, ao mesmo tempo em que defendeu a expansão das renováveis na Colômbia.
 
A indústria de O&G é a principal exportadora do país, que não oferece novas áreas desde que o presidente Gustavo Petro assumiu o cargo em 2022. (BNamericas)

Os países reunidos na Colômbia em abril representam cerca de 30% da demanda global de energia e cerca de 20% da oferta global de energia. Grandes potências industriais ficaram de fora das discussões. Foi proposital. 
 
A organização não convidou governos que historicamente travam a agenda de eliminação dos combustíveis fósseis, como EUA, China e Índia. Além de grandes produtores de óleo do Golfo — Arábia Saudita, Irã, Iraque, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Catar e Bahrein.
 
O relatório de Santa Marta afirma que a transição energética já ultrapassou o “ponto de não retorno”, destacando que a capacidade global de renováveis em 2025 era quase 50% superior à de 2023 e que praticamente toda a nova demanda energética está sendo atendida por fontes renováveis. 
 
O aspecto mais relevante não é uma nova meta climática, mas a criação de uma espécie de coalizão informal de implementação, paralela às negociações da UNFCCC.
 
O processo pretende funcionar como um espaço de países “dispostos a agir”, evitando a lógica de consenso universal das COPs. O relatório descreve Santa Marta como um experimento de “plurilateralismo dos dispostos”, voltado para acelerar a implementação da transição.

Por falar em coalizão, nove governos, além da Comissão Europeia, lançaram também na terça (23) a campanha “Eletrifique Agora”, iniciativa global que apoia a eletrificação com baixa emissão de carbono. 
 
Entre os apoiadores estão a Turquia, anfitriã da COP31; a Austrália, presidente das negociações da COP31; a Etiópia, futura anfitriã da COP32; junto com Coreia do Sul, Filipinas, Barbados, Canadá e Reino Unido. 
 
A iniciativa também recebeu apoio de mais de 40 organizações em todo o mundo.
 
A eletrificação é um dos principais temas da COP31, em Antalya. Há duas semanas, Murat Kurum, presidente da cúpula pela Turquia, lançou uma meta global para que a eletricidade represente 35% do consumo final de energia até 2035. Ele buscará adesões ao longo dos próximos meses e durante a conferência de novembro. 
 
A meta é baseada em estimativas da Agência Internacional de Energias Renováveis (Irena), de que um cenário de 1,5°C requer que a eletricidade passe a responder por mais 50% do consumo final de energia global em 2050.
 
E entrará no mapa do caminho de Corrêa do Lago.
 
“Comprometi-me a apresentar, em uma data pouco antes da COP31, um roteiro sobre a transição para o afastamento dos combustíveis fósseis. E, nesse roteiro, a eletrificação é um ponto absolutamente central”, disse o embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30, durante evento em Londres.

Montadoras contra importações de elétricos. O governo brasileiro renovou as cotas de importação com alíquota zero para veículos elétricos, por seis meses a partir de 1º de julho. A medida deve beneficiar, principalmente, marcas chinesas e contrariou parte da indústria automotiva. A Anfavea confirmou que o próximo passo será judicializar a decisão.
 
E32 sem data. O aumento do percentual de etanol na gasolina ficou sem horizonte definido, depois que o Conselho Nacional de Política Energética desmarcou a reunião prevista para esta quarta-feira (24/6), sem previsão de uma nova data. A janela de oportunidade para a discussão pode estar se fechando.
 
Calor extremo cancela evento sobre calor extremo. O evento sobre adaptação marcado para esta quarta (24/6) na Biblioteca Shaw da London School of Economics como parte da Semana de Ação Climática, foi cancelado depois que o Met Office emitiu um alerta vermelho de mau tempo. 

  • O serviço de previsão do tempo afirmou que a onda de calor recorde desta semana fará com que as temperaturas ultrapassem os 37°C à sombra e possam até mesmo chegar a 38°C ou 40°C em algumas partes da Inglaterra e do País de Gales. (Independent UK)

Guerra pressiona gás natural. Os preços do gás natural no Brasil devem se manter pressionados no segundo semestre, mesmo com o avanço das negociações entre Estados Unidos e Irã em torno de um acordo de paz, avalia o vice-presidente do Mercado de gás da Rystad Energy para a América Latina, Vinícius Romano, em entrevista ao podcast gas week.

O Brasil tem capacidade de atrair investimentos em baixo carbono suficiente para ajudar a equilibrar as contas públicas, graças a sua condição privilegiada de combinar ativos que poucas economias conseguem igualar. A conclusão é do estudo Brazil’s Investment-led Growth in the Ecological Transition, organizado pelo iCS e pelo Centre for Economic Transition Expertise (CETEx) da London School of Economics and Political Science.

Abihv e ApexBrasil vão lançar uma chamada pública para selecionar projetos de hidrogênio, amônia, metanol e fertilizantes com potencial de exportação. A parceria busca dar acesso aos fundos do Global Gateway, mecanismo da União Europeia para financiamento de infraestrutura sustentável em países parceiros, conta Fernanda Delgado, CEO da Abihv, em entrevista ao estúdio eixos.
 
A Empresa de Pesquisa Energética espera lançar em julho um novo modelo de planejamento integrado para a geração e transmissão de energia e espera, assim, contribuir para a redução dos cortes de geração de energia (curtailment). Segundo o presidente da EPE, Thiago Prado, a integração dos planejamentos dos dois setores deve aumentar a eficiência da operação da rede. 
 
O Brasil perdeu a janela ideal para contratar sistemas de armazenamento de energia por baterias (BESS), mas o leilão marcado para dezembro ainda é necessário e deve trazer resultados positivos, ainda que em volume inferior ao necessário. A avaliação é do presidente da Hitachi Energy no Brasil, Glauco Freitas.
 
A energia solar térmica pode ajudar a aliviar o sistema elétrico nos momentos de maior demanda, especialmente no fim da tarde, quando o uso de chuveiros elétricos dispara, avalia a presidente da Abrasol, Danielle Johann.
 
O resultado das eleições não deve alterar a relevância das políticas de transição energética no Brasil, avalia o diretor de Relações Públicas da Prospectiva, Felipe Oppelt. Em entrevista ao estúdio eixos, ele afirmou que os temas ligados à descarbonização tendem a permanecer na agenda pública.
 
O Programa Gás do Povo já está em vigor em todos os 5.570 municípios brasileiros, incluindo localidades sem revenda de gás liquefeito de petróleo (GLP), onde a entrega é feita por roteirização de revendedores de cidades vizinhas. E deve continuar em operação após 2027, avalia o presidente do Sindigás, Sérgio Bandeira de Mello.

  • Já o diretor Jurídico da Supergasbras, Ricardo Tonietto, citou a necessidade de maior previsibilidade sobre a estimativa mensal de vouchers – o que permitiria à cadeia planejar melhor o suprimento e direcionar botijões para regiões com maior demanda.

A Ultragaz está apostando na criação de corredores verdes, dentro de sua estratégia de comercialização de biometano. A empresa vê uma demanda crescente pelo biocombustível no mercado brasileiro, hoje, no setor de transporte pesado, conta o vice-presidente de Operações, Guilherme Darezzo.

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