Alta de processos por racismo escancara feridas históricas e exige mobilização
Alta de processos por racismo expõe feridas históricas e requer engajamento
Tomaz Silva / Agência Brasil
Aumento das denúncias por racismo também indica o rompimento do silêncio.
Em 2025, o Brasil testemunhou um crescimento nas denúncias de trabalho escravo e crimes de racismo, dados que demandam atenção. Foram registrados mais de 4,5 mil casos de trabalho análogo à escravidão no Disque 100 (Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania) e 8.730 novos processos criminais por racismo, de acordo com o Painel de Monitoramento Justiça Racial.
Esses números evidenciam a persistência da violência racial, mas também sinalizam uma maior conscientização social e fortalecimento dos mecanismos de denúncia. Ou seja, mais indivíduos estão quebrando o silêncio e demandando responsabilização pelos crimes sofridos, apesar de práticas enraizadas ao longo de quase quatro séculos de escravidão de pessoas negras ainda persistirem; um sinal positivo de que
A discussão sobre a luta antirracista está em destaque no Encontro Nacional de Combate ao Racismo do Partido dos Trabalhadores (PT), que ocorre hoje e amanhã, 31, na sede nacional do PT.
O atual secretário nacional de Combate ao Racismo do PT, Martvs das Chagas, afirma que o momento requer organização política e mobilização da militância negra do partido. De acordo com ele, o aumento nas denúncias não indica um crescimento do racismo, mas sim que ele deixou de ser normalizado.
“Denunciar é um ato político, de afirmação de direitos e de defesa da democracia”, destaca Martvs.
Martvs acredita que a ampliação das denúncias de racismo é um reflexo direto da longa batalha do movimento negro, do avanço das políticas públicas e do fortalecimento de instrumentos legais que possibilitam identificar e combater a violência racial. “Por um lado, o racismo estrutural permanece profundamente enraizado nas instituições, nas relações sociais e no cotidiano da população negra. Por outro lado, há um significativo progresso na conscientização social, resultado direto de décadas de luta do movimento negro, da expansão de políticas públicas, da produção acadêmica, da atuação de mandatos comprometidos com a questão racial e do fortalecimento de instrumentos legais”, explica.
Impacto social
A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, destaca que a herança colonial mantém o Brasil como um cenário de práticas racistas cotidianas e contínuas. Ao mesmo tempo, ela ressalta que o país está passando por uma transformação social e política devido à implementação e consolidação das políticas de igualdade racial, desde a criação do Estatuto da Igualdade Racial até a instituição do Ministério da Igualdade Racial.
“O Brasil é reconhecido internacionalmente como um modelo na promoção de ações afirmativas e no combate ao racismo, o que resultou em um fortalecimento e uma ampliação da consciência social e racial sobre direitos ao longo dos anos”, destaca.
Segundo a ministra, a equiparação dos crimes de injúria racial e racismo, juntamente com o desenvolvimento de diversas políticas públicas de inclusão, valorização e conscientização sobre igualdade e cidadania para a população negra, contribuem para tirar o tema da invisibilidade e torná-lo uma pauta diária de discussão e combate. “Por isso, as denúncias de racismo são fundamentais, pois elas concretizam os incidentes e possibilitam investigação, mobilização e conscientização de que o racismo é um crime que não pode ser tolerado”, destaca a ministra.
Uma juventude engajada
Para Martvs, a inclusão do debate racial em instituições de ensino, redes sociais e órgãos públicos estabeleceu referências e redes de apoio que encorajam a denúncia de violações anteriormente silenciadas, especialmente entre os jovens.
Nesse contexto, o partido tem se dedicado tanto à formulação de políticas públicas quanto à educação política nas comunidades, incentivando a participação da juventude negra como protagonista da transformação social.
A ampliação da representatividade negra em esferas de poder, o fortalecimento das secretarias partidárias e a defesa de mecanismos como cotas raciais e financiamento equitativo fazem parte dessa abordagem.
Ao convocar a militância para o Encontro Nacional, Martvs das Chagas enfatiza que denunciar o racismo é um direito e um ato coletivo de resistência. “Denunciar o racismo é um direito e um ato de resistência. Ninguém está sozinho”, afirma. Ele destaca que existem leis, instituições, organizações e indivíduos empenhados na defesa da dignidade da população negra. “Cada denúncia ajuda a quebrar o ciclo da impunidade e a construir um país mais justo. O PT continuará ao lado da população negra, lutando para que viver sem racismo deixe de ser uma promessa e se torne uma realidade”, conclui.
Confira aqui a programação do Encontro.
Ramíla Moura, especial para a Redação do PT.

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