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ANP rejeita recurso da Petrobras contra plano para tratamento de gás em SP

ANP rejeita recurso da Petrobras contra plano para tratamento de gás em SP

ANP rejeita recurso da Petrobras contra plano para tratamento de gás em SP

VITÓRIA — A diretoria da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) rejeitou o pedido de reconsideração da Petrobras e manteve a decisão que determinou que a estatal deverá apresentar até o dia 21/2 um plano de ação para que a Unidade de Tratamento de Caraguatatuba (SP), a UTGCA, passe a fornecer gás natural dentro das especificações.

Na reunião extraordinária desta segunda-feira (29/12), o relator, diretor Pietro Mendes, acatou a recomendação das áreas técnicas pela rejeição do pedido de reconsideração. A Superintendência de Desenvolvimento e Produção (SDP) ratificou a necessidade de investimentos na UTGCA e interpretou a situação como “escolha empresarial pela postergação”.

Os diretores também indeferiram o pedido de suspensão do artigo 4º da autorização especial 713/2025, que caracteriza expressamente o gás oriundo da UTGCA como não conforme. O pedido foi rejeitado por “ausência de justo receio de prejuízo de difícil ou incerta reparação”.

Além da suspensão do artigo, a companhia pleiteava a inclusão de um parágrafo estabelecendo que a classificação como não conforme não viesse a impactar contratos de compra, venda e transporte.

Segundo o relator, a classificação expressa de gás não conforme atende aos princípios de transparência e publicidade. Ele lembrou que a própria Petrobras afirma que os parâmetros de intercambialidade foram respeitados, garantindo ausência de impacto aos transportadores e aos consumidores. “Se efetivamente não há impactos negativo, a caracterização regulatória como não conforme não deveria gerar as consequências contratuais apontadas”, disse Mendes. 

“O que a Petrobras pretende aparentemente é obter uma blindagem regulatória que a isente de eventuais responsabilidades contratuais independentemente da ocorrência de danos efetivos”, completou.

Plano de ação como condição para autorização

A apresentação de um plano de ação para que a UTGCA passe a fornecer gás natural dentro das especificações foi uma condicionante imposta para a renovação, por até oito meses, da autorização especial que permite à unidade ofertar gás com teor mínimo de metano de 80% – abaixo do limite regulatório de 85%.

A estatal opera o ativo com base nessas autorizações especiais desde 2020, em função da mudança do perfil de composição do gás processado na unidade – que hoje opera majoritariamente com gás do pré-sal, com teores de hidrocarbonetos diferentes daqueles tradicionalmente presentes no pós-sal e que balizaram a construção do ativo.

A Petrobras cancelou em 2020 o projeto de modernização da UTGCA, alegando, na ocasião, inviabilidade econômica financeira – o projeto, segundo a ANP, está em fase de reavaliação preliminar.

A agência alega no processo, contudo, que a Petrobras não conseguiu comprovar a impossibilidade técnica ou econômica efetiva de adequação da UTGCA.

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