Ator de 95 anos morou em fazenda de R$ 104 milhões em estado que pode deixar o país
Muito antes de Alberta, no Canadá, ganhar destaque internacional devido ao avanço de um movimento separatista que busca a independência do estado, a região já tinha sido cenário da vida temporária de uma das maiores lendas do cinema mundial. Foi nas encostas das Montanhas Rochosas que Clint Eastwood (95) viveu durante as filmagens de “Os Imperdoáveis” (Unforgiven, 1992), filme que marcou o ponto alto de sua carreira como diretor e ator.
Aos 95 anos, Eastwood se hospedou em uma fazenda, que serviu como rancho cinematográfico, localizada na região de Fisher Creek, a aproximadamente uma hora de carro de Calgary. A propriedade, utilizada como base durante as filmagens, era conhecida por abrigar o set original da fictícia cidade de Big Whiskey, onde se desenrola a história do faroeste. Em 2022, o imóvel voltou à atenção ao ser colocado à venda por cerca de 25,5 milhões de dólares canadenses — valor que, na época, ultrapassava os R$ 104 milhões.
Com cerca de 480 hectares, a propriedade inclui uma residência principal com mais de 1.100 metros quadrados, cinco quartos, onze banheiros, sete lareiras e uma ampla sala de jantar, além de cabanas para hóspedes, arena equestre coberta, lago privativo de 11 hectares com casa de barcos e as construções cenográficas do Velho Oeste preservadas. De acordo com o corretor Chris Burns, da Engel & Völkers Vancouver, responsável pela comercialização, Eastwood viveu no local durante as filmagens, assim como colegas de elenco como Morgan Freeman (88), Gene Hackman (1930-2025) e Richard Harris (1930-2002), que também passaram longos períodos na propriedade.
Realismo e melancolia
Produzido, dirigido e estrelado por Clint Eastwood, “Os Imperdoáveis” é considerado um marco do cinema western por desafiar os mitos clássicos do gênero. O filme ganhou quatro Oscars em 1993, incluindo Melhor Filme e Melhor Diretor, consolidando Eastwood não apenas como astro, mas como um dos cineastas mais respeitados de Hollywood. Foi também seu último faroeste como protagonista, encerrando simbolicamente um ciclo iniciado nos anos 1960 com a trilogia dos dólares de Sergio Leone (1929-1989).
A escolha de Alberta como cenário não foi aleatória. A paisagem aberta, as vastas planícies e a proximidade com as Montanhas Rochosas proporcionaram o ambiente ideal para um faroeste que buscava realismo e melancolia, afastando-se da estética glamourosa do gênero. Décadas depois, o mesmo estado volta a atrair atenção, desta vez por motivos políticos.
Rica em petróleo e considerada o centro energético do Canadá, Alberta enfrenta atualmente uma situação tensa com o governo federal. Um movimento separatista organizado defende a saída do estado da confederação canadense e sua transformação em um país independente, alegando exploração econômica, altos impostos e conflitos de identidade com o restante do país. Grupos como o Alberta Prosperity Project já estão coletando assinaturas para forçar a realização de um referendo oficial, que poderá ocorrer a partir deste ano.
Debate
Embora a ideia de separação ainda enfrente resistência da maioria da população e seja vista com ceticismo por economistas e juristas, o debate tem ganhado força suficiente para provocar reações públicas do primeiro-ministro canadense e até despertar comentários de Donald Trump (79), que insinuou uma possível aproximação entre Alberta e os Estados Unidos.


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