Autocratas, populistas e identitaristas – DAGOBAH
Os liberais democratas não são adversários da esquerda ou da direita. Eles se opõem a três tipos específicos de ideologias: autocrática (como Ortega e Bukele), populista (como Lula e Bolsonaro) e identitarista (como Erika Hilton e Jordan Bardella).
Às vezes, esses tipos se entrelaçam em cada espectro político. Por exemplo, um líder populista de esquerda pode ser autocrático (como Maduro) ou não (como Sheinbaum). Da mesma forma, um populista de direita pode ser autocrático (como Erdogan) ou não (como Milei).
De modo geral, a esquerda (seja autocrática, populista ou identitarista) tem suas raízes no marxismo e é composta por indivíduos que se apresentam como progressistas, mas são, na verdade, revolucionários. Já a direita (seja autocrática, populista ou identitarista) frequentemente é formada por reacionários que se camuflam de conservadores.
Alguns podem estranhar a ideia de ‘identitarismo de direita’, mas ele de fato existe. Vejamos alguns exemplos de líderes populistas de direita que também adotam o identitarismo:
Bardella baseia sua plataforma no “nacional-identitarismo”, defendendo a priorização de cidadãos franceses nativos em serviços públicos e a proteção da identidade cultural francesa contra influências do islamismo e da imigração em larga escala.
Na Holanda, Geert Wilders foca principalmente na preservação da identidade cultural ocidental e secular. Ele argumenta que os valores tradicionais holandeses estão sob ameaça devido à imigração de culturas não ocidentais.
E não podemos esquecer de Narendra Modi. Sua governança se baseia no conceito de identitarismo de direita, mobilizando politicamente a identidade cultural e religiosa do grupo demográfico majoritário. Modi e seu partido, o BJP (Bharatiya Janata Party), têm laços históricos com o grupo RSS, uma organização que promove a doutrina do Hindutva, defendendo que a verdadeira identidade nacional indiana está intrinsecamente ligada à cultura e tradição hindus. Trata-se de um processo de “outremização”. O identitarismo de direita geralmente se estabelece ao definir claramente quem faz parte da identidade nacional e quem é considerado “outro”.
Enquanto a esquerda identitarista foca nas identidades de minorias marginalizadas ou discriminadas, a direita identitarista mobiliza politicamente a identidade da maioria ou da tradição histórica (seja étnica, religiosa ou nacional), argumentando que os valores, história e cultura do povo nativo estão sob ameaça devido à globalização, imigração e progressismo cultural.
O conservadorismo clássico se concentra na preservação de instituições como o livre mercado, a família e a Constituição, bem como na limitação do poder estatal. Por outro lado, a direita identitarista, em geral, utiliza ativamente o Estado para moldar e proteger a cultura. Seu foco principal não é a economia ou a liberdade individual, mas sim a sobrevivência e supremacia cultural do grupo identitário nacional.
E quanto aos liberais democratas?
Os liberais democratas não se enquadram nos moldes autocráticos, populistas ou identitaristas da esquerda ou da direita. Eles não são revolucionários nem reacionários; são reformistas. A democracia teve origem em uma reforma: a reforma distrital de Clístenes, em 509 a.C. Portanto, a democracia não surgiu de uma revolução progressista nem de uma revolução regressiva, como desejavam os oligarcas Crítias e Cármides (verdadeiros reacionários) e Alcebíades (também populista, talvez o primeiro da história). Estes três, juntos ou separados, lideraram três golpes sangrentos contra a democracia ateniense (em 411, 404 e 401 a.C. – este último foi impedido pelos democratas antes de se concretizar).
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