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Brandão prioriza projeto familiar e atrapalha os planos do presidente Lula no Maranhão

Brandão prioriza projeto familiar e atrapalha os planos do presidente Lula no Maranhão

Brandão prioriza projeto familiar e atrapalha os planos do presidente Lula no Maranhão

Ao conceder uma entrevista a uma revista e afirmar que “não entregará o cargo a alguém que se aliou aos meus oponentes”, o governador do Maranhão tenta encobrir da imprensa nacional o que toda a população maranhense já sabe. Sua principal prioridade é manter o controle político na família, através de seu sobrinho, e para isso, tenta vender a ideia de que tem a eleição sob controle no Estado.

Essa mesma declaração dada a um veículo de alcance nacional tem outro propósito: criar a imagem de que está sendo perseguido em seu Estado por adversários políticos e tentar se desvencilhar da acusação de traição. Afinal, os “adversários” dos quais ele fala foram aqueles que o apoiaram em sua eleição e que, após assumir o governo, ele começou a afastar dos cargos, enviando sinais claros desde 2023 de que não cumpriria o acordo firmado com as lideranças nacionais do PT, inclusive durante a campanha eleitoral.

Em termos políticos, o estrago já está feito. Nunca a direita e a extrema direita estiveram tão fortalecidas no Maranhão. Nomes como Yglesio Moises e Mical Damasceno buscam vagas no senado com total apoio de Brandão. A lista de conservadores ocupando cargos no governo é extensa e inclui até uma secretaria estratégica concedida ao deputado federal Aluísio Mendes, líder do Republicanos no Estado e um dos parlamentares mais ativos contra o governo de Lula em Brasília.

Com o prazo se esgotando e pressionado por seu irmão, Brandão não está traindo apenas aqueles que considera seus inimigos de esquerda. Ele já excluiu de seus planos a senadora Eliziane Gama, o Ministro dos Esportes André Fufuca, e parece estar se distanciando de Weverton Rocha, que além de estar sob investigação da PF, começa a perceber a “aliada” Iracema Vale em seu retrovisor. Isso sem mencionar as bases eleitorais do deputado Pedro Lucas, que foram oferecidas a Felipe Camarão caso ele renunciasse.

Brandão adota estratégias questionáveis e tem ganhado tempo na esperança de que Lula deseje manter seu grupo unido no Maranhão. No entanto, o que o governador realmente almeja é que o presidente legitime sua traição e, no mínimo, ofereça a possibilidade de um palanque compartilhado no Estado. Para isso, ele continua a utilizar a antiga tática de manter os petistas locais sob controle, uma vez que sempre dependeram de cargos para sua sobrevivência política.