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Brasil de Fato será jurado no Festival Internacional de Cinema de Havana

Brasil de Fato será jurado no Festival Internacional de Cinema de Havana

Brasil de Fato será jurado no Festival Internacional de Cinema de Havana

Pela primeira vez, o Brasil de Fato fará parte do júri da 46ª edição do Festival Internacional do Novo Cinema Latino-Americano de Havana, um dos eventos cinematográficos mais importantes do continente.

Neste ano, sob o lema “Rodando Cinema”, o festival reúne 222 filmes de 42 países. A participação será no júri do Prêmio Glauber Rocha, que celebra seu 40º aniversário. Essa premiação, nomeada em homenagem ao icônico cineasta brasileiro do Cinema Novo e concedida pela agência Prensa Latina, distingue obras centradas na realidade do continente que combinam inovação, força estética e um firme compromisso com as questões sociais da América Latina e do Caribe. O prêmio será anunciado nesta sexta-feira, 12 de dezembro, junto ao Grande Prêmio Coral, a principal distinção do festival.

Entre os países mais representados nesta edição estão Cuba, México, Argentina, Brasil e Colômbia, consolidando a diversidade e a riqueza das cinematografias da região. Entre os filmes mais destacados deste ano estão O Agente Secreto, thriller político dirigido por Kleber Mendonça Filho e estrelado por Wagner Moura, selecionado pelo Brasil para concorrer como Melhor Filme Internacional no Oscar 2026; a produção cubana Neurótica Anônima, do renomado ator e diretor Jorge Perugorría, com a atriz e roteirista Mirtha Ibarra; a argentina Belén, dirigida por Dolores Fonzi e baseada na história real de uma mulher presa por um aborto espontâneo; e A Filha Condor, do boliviano Álvaro Olmos Torrico, que oferece um olhar impactante sobre mandatos sociais, migração e tradição.

O panorama latino-americano se completa com produções do México, Colômbia e República Dominicana que abordam temas como desigualdade, migração, violência, classe social e desejo, a partir de múltiplas linguagens narrativas. Essa programação diversa reflete a amplitude estética e política do cinema contemporâneo da região, consolidando o festival como um espaço de encontro, reflexão e debate cultural de alto nível.

Como novidade, a programação deste ano inclui uma seção dedicada aos países do bloco Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), refletindo a recente incorporação de Cuba como país associado a esta aliança.

Criado em 1985, o Prêmio Glauber Rocha consagrou, ao longo de quatro décadas, figuras centrais do cinema latino-americano. Entre eles estão o argentino Fernando Birri e o mexicano Arturo Ripstein, reconhecidos pelo conjunto de suas trajetórias. Também foram premiados os brasileiros Suzana Amaral (A Hora da Estrela, 1986), Fernando Meirelles (Cidade de Deus, 2002) e Héctor Babenco (Carandiru, 2003); o colombiano Víctor Gaviria (Rodrigo D: No Futuro, 1990; A Vendedora de Rosas, 1998); e o chileno Andrés Wood (Machuca, 2004; Violeta foi para o Céu, 2012), entre outros grandes nomes do continente.

Um festival para aprendermos a nos enxergar

Neste ano, a cerimônia de abertura ficou a cargo da diretora do festival, Tania Delgado Fernández, que destacou o papel do cinema em tempos de crise e reafirmou a dimensão latino-americana do encontro. “Cuba os abraça neste momento difícil para o mundo e também para o nosso país. Mais de uma década após a proclamação da Celac [Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos], que declarava a América Latina e o Caribe como zona de paz, nosso continente se encontra ameaçado pelo Norte que nos despreza”, afirmou, em referência à escalada militar dos Estados Unidos que afeta a região.

Entre os aplausos do público, Delgado enfatizou a necessidade de resistência cultural e criatividade diante das tensões globais e regionais, garantindo que “o cinema, pelo poder das imagens e dos sons, nos faz reconhecer as múltiplas realidades e complexidades que vivem nossas sociedades”.

Como demonstração do compromisso social e político do festival com as lutas do continente, a abertura contou com a exibição de Belén, dirigida por Dolores Fonzi.

Nesta 46ª edição, o evento presta homenagem ao cineasta cubano Alfredo Guevara, fundador do Instituto Cubano de Arte e Indústria Cinematográfica (ICAIC) e do próprio festival, cujo legado continua a marcar o rumo do cinema latino-americano. O Festival Internacional do Novo Cinema Latino-Americano de Havana foi inaugurado em dezembro de 1979 e, desde então, consolidou-se como um espaço de reconhecimento e difusão do cinema latino-americano e caribenho.

Os primeiros filmes a receber o Grande Prêmio Coral, a maior distinção do festival, foram o brasileiro Coronel Delmiro Gouveia, dirigido por Geraldo Sarno, e o cubano Maluala, de Sergio Giral.

Após 46 anos de sua fundação, seguem vigentes as palavras do anúncio de sua criação, que destacavam que o objetivo do festival era “promover o encontro regular de cineastas latino-americanos cuja obra enriquece a cultura artística de nossos países; assegurar a apresentação conjunta de filmes de ficção, documentários, animações e temas de atualidade; e contribuir para a difusão e circulação internacional das principais e mais significativas produções de nossas cinematografias”.

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