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Centrão pressiona Motta a quebrar acordo com Lula e indicar aliado ao TCU – CartaCapital

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A disputa pela vaga que será aberta no Tribunal de Contas da União com a aposentadoria compulsória do ministro Aroldo Cedraz, em fevereiro, se tornou mais um elemento de pressão sobre Hugo Motta (Republicanos-PB). Lideranças do Centrão têm defendido que o presidente da Câmara dos Deputados rompa um acordo firmado com o PT e use a indicação como um instrumento para reorganizar sua base parlamentar.

Desde sua eleição ao comando da Câmara, em fevereiro de 2025, Motta busca sustentar um perfil “conciliador”, mas terminou seu primeiro ano de gestão isolado.

De um lado, o PT e o governo Lula avaliam que o deputado falhou em oferecer garantias sólidas na defesa de pautas estratégicas e mostrou fragilidade na articulação junto o Congresso.

Já o bolsonarismo passou a tratá-lo como adversário após o recuo na defesa de uma anistia ampla aos envolvidos nos atos golpistas de 8 de Janeiro, a adesão a um acordo com o STF que desfigurou o PL da Dosimetria e a decisão de não pautar iniciativas de enfrentamento à Corte.

O desgaste simultâneo deixou Motta mais “dependente” do Centrão, que hoje concentra o maior poder de pressão. Neste contexto, a sucessão de Cedraz no TCU passou a ser vista como uma oportunidade de recomposição.

Conforme o acordo costurado em 2024, durante as negociações que levaram Motta à presidência da Câmara com o apoio de Arthur Lira (PP-AL), a vaga do TCU caberia ao PT, que lançou o deputado Odair Cunha (MG) como candidato. Cunha tem intensificado sua campanha entre congressistas, insistindo que sua indicação faz parte de um pacto institucional, não de uma imposição do Palácio do Planalto.

O avanço da candidatura petista, no entanto, ocorre em meio à resistência aberta de partidos do Centrão e da oposição. Deputados do União Brasil e do PSD apresentaram nomes próprios à disputa, como Elmar Nascimento (BA), Danilo Forte (CE) e Hugo Leal (RJ). No União, a pressão interna levou à discussão sobre a necessidade de unificar um candidato da bancada, evidenciando a fragmentação do acordo original.

Aliados de Motta avaliam que cumprir o compromisso com o PT, neste momento, ampliaria seu isolamento em um ano eleitoral, durante o qual o presidente da Câmara precisará de apoio para garantir governabilidade e preservar sua influência. Por isso, ganhou força a tese de postergar a votação ou negociar a vaga com partidos do Centrão, usando o TCU como moeda de “pacificação”.

O TCU, responsável por fiscalizar gastos públicos e políticas do Executivo, também é visto como um posto estratégico tanto para o governo quanto para o Congresso. Controlar a indicação pode significar maior margem de manobra em disputas futuras envolvendo emendas parlamentares, por exemplo.

Para o PT, um eventual recuo de Motta seria interpretado como quebra de palavra e aprofundaria a desconfiança. Para o bolsonarismo, mesmo uma indicação fora do campo petista não garante reconciliação automática, já que persiste o ressentimento pela condução da anistia e pelas punições aos deputados envolvidos em motins.

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