Chegada do maior porta-aviões dos EUA ao Mediterrâneo reforça maior mobilização militar perto do Oriente Médio desde guerra no Iraque
O maior navio de guerra do mundo, o USS Gerald R. Ford, e os navios de sua frota chegaram ao Mar Mediterrâneo nesta sexta-feira, em meio a uma intensa atividade de aeronaves militares em bases dos EUA no Oriente Médio, logo após o presidente Donald Trump dar um ultimato ao Irã para aceitar um novo acordo nuclear em 10 a 15 dias. O envio de dois porta-aviões e caças para a região representa a maior mobilização militar dos EUA na área desde a invasão do Iraque em 2003 — uma ameaça que o governo teocrático de Teerã promete resistir, apesar de indicar que uma proposta inicial do acordo será apresentada em breve.
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O Gerald Ford cruzou o Estreito de Gibraltar — conectando o Atlântico e o Mediterrâneo — nesta sexta, potencialmente posicionando os caças e bombardeiros de sua ala aérea, juntamente com os mísseis embarcados nos três contratorpedeiros que o acompanham, prontos para um eventual ataque ao Irã, caso Trump decida agir. Essa capacidade militar se junta a outras estratégias do Pentágono, que incluem possíveis ataques a partir do Golfo Pérsico, Mar Arábico, Mar Vermelho e até mesmo de bases mais distantes no Oceano Índico e nos EUA.
Um levantamento do Wall Street Journal, divulgado na quinta-feira, identificou o atual deslocamento de forças para o Oriente Médio como a maior concentração de poder aéreo dos EUA na região desde a guerra no Iraque. Além dos porta-aviões presentes, são enviadas várias aeronaves de combate e estratégicas, incluindo modelos F-35, F-16, F-15 e E-3, para bases na Arábia Saudita e Jordânia. A BBC britânica reportou o movimento de pelo menos seis aeronaves militares na região apenas nesta sexta-feira.
Apesar do destaque, a concentração de forças ao redor do Irã ainda é inferior às mobilizações anteriores às guerras no Iraque e no Kuwait, conforme apontado na análise com base nos recursos empregados, na ausência de tropas terrestres e no suporte limitado para uma ação prolongada contra Teerã. Parece que estão sendo planejadas operações pontuais contra alvos estratégicos do regime iraniano, embora ainda não haja alvos específicos identificados até o momento.
Ao ordenar o posicionamento da chamada “Armada” nas proximidades do Irã e ao mencionar a possibilidade de um ataque direto, Trump condicionou repetidamente a ação a uma falta de progresso nas negociações para um novo acordo nuclear com o Irã. A questão inicial das manifestações reprimidas pelo governo iraniano perdeu força na retórica americana, sem resultar em ações concretas.
As preocupações agora se concentram em um acordo para impedir que o Irã desenvolva armas nucleares, algo que as autoridades iranianas negam, apesar do aumento significativo na produção de urânio nos últimos anos. A pressão dos EUA levou os iranianos a participarem de negociações indiretas, mediadas por Omã. Nesta sexta-feira, o governo de Teerã anunciou que um esboço preliminar do acordo está quase pronto e será apresentado em breve.
Segundo o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, os EUA não insistiram, durante as negociações em Mascate e Genebra, em uma proibição total do enriquecimento de urânio pelo Irã, algo defendido publicamente por Trump. O texto em elaboração busca garantir a existência do programa nuclear iraniano, desde que o enriquecimento de urânio permaneça pacífico “para sempre”.
Recentemente, veículos de imprensa americanos divulgaram que países árabes aliados, como a Arábia Saudita, estariam tentando persuadir Trump a aceitar um acordo no qual o Irã se comprometeria a limitar o enriquecimento de urânio a 3%. Essa possibilidade permitiria ao Irã uma saída honrosa, mantendo seu programa nuclear, enquanto efetivamente eliminaria a ameaça nuclear.
Outros pontos de discordância incluem a demanda de Washington, e de aliados como Israel, por limitações no programa de mísseis iraniano, visto como uma ameaça imediata, e na rede de alianças do Irã, incluindo milícias hostis a influências ocidentais. O Irã descartou a possibilidade de suspender seu programa de mísseis, alegando ser uma capacidade essencial de dissuasão.
Apesar da abertura para negociações, representantes iranianos contra-atacaram as declarações hostis de Trump. Em carta ao secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, na quinta-feira — mesmo dia do prazo estabelecido por Trump para o acordo —, a representação iraniana nas Nações Unidas reiterou a ameaça de atacar bases americanas no Oriente Médio em caso de agressão militar.
“Em caso de agressão militar ao Irã, responderemos de forma decisiva e proporcional, conforme o direito legítimo de defesa estabelecido no artigo 51 da Carta das Nações Unidas”, destaca o comunicado. “Nessas circunstâncias, todas as bases, infraestruturas e recursos americanos na região são alvos legítimos.”
A Guarda Revolucionária iraniana, braço militar com forte alinhamento ideológico ao governo teocrático, realiza exercícios militares no Estreito de Ormuz, ponto estratégico para o comércio global de petróleo, em uma ação que busca demonstrar poderio. (Com AFP)


