Cinco dias de greve expõem caos no transporte e empurram São Luís para o transporte clandestino
Trabalhador lota ônibus pirata enquanto o chefe do Executivo faz política de “salvador da pátria” e ignora o colapso do transporte público.
Cinco dias de greve deixaram São Luís sem ônibus e empurraram trabalhadores para ônibus clandestinos, mas o prefeito tenta posar como “salvador da pátria” nas redes sociais enquanto o caos se instala nas ruas. Em vez de assumir sua responsabilidade como chefe do Executivo, ele transfere a culpa para empresários e posa em vídeos no Instagram, distante da realidade de quem acorda de madrugada e disputa vaga em veículo irregular para não perder o emprego.
Cinco dias de greve, zero solução
A paralisação geral começou após rodoviários rejeitarem um reajuste de apenas 2 por cento oferecido pelas empresas, muito abaixo do que a categoria reivindica. Mesmo com decisão judicial exigindo frota mínima nas ruas, a Grande São Luís já soma quatro dias sem ônibus, cenário que se encaminha para o quinto dia de transtornos sem uma solução concreta apresentada pela Prefeitura.
Enquanto isso, passageiros enfrentam pontos lotados, longas caminhadas e dependência crescente de transporte clandestino, aplicativo ou mototáxi para chegar ao trabalho. O colapso virou rotina em uma gestão que, segundo registros, já enfrentou sucessivas greves de ônibus e não conseguiu garantir um sistema minimamente estável.
O prefeito do Instagram e o caos nas ruas
Nas redes sociais, o prefeito insiste em se apresentar como defensor do povo, anunciando vouchers em aplicativos e culpando empresários pela paralisação, como se fosse um mediador neutro, e não o responsável direto pela política de transporte da cidade. Em pronunciamentos, ele diz que age para proteger o usuário, mas evita reconhecer que a Prefeitura falhou na prevenção dos conflitos, na regulação dos contratos e na garantia de subsídios transparentes que evitassem o colapso do sistema.
Por outro lado, relatos de usuários apontam para ônibus quebrando, longas esperas e sensação de abandono, enquanto a principal presença do prefeito no debate parece ser por meio de vídeos e posts, e não de decisões firmes e negociadas à mesa com trabalhadores e empresas.
Ônibus clandestinos como espelho do desgoverno
Nesse cenário, o transporte clandestino cresce como consequência direta do caos oficial. Em vez de frota regular, segura e fiscalizada, o trabalhador é empurrado para veículos sem autorização, sem seguro adequado e sem controle de qualidade, preenchendo o vazio deixado pelo poder público.
Além disso, a Justiça já teve de intervir para obrigar a Agência Estadual de Mobilidade a fiscalizar o transporte clandestino, evidenciando que o Estado, em todas as esferas, falhou em garantir um serviço seguro e organizado. O resultado é um trabalhador que arrisca a vida diariamente em ônibus pirata, enquanto vê o “prefeito do Instagram” distante da parada de ônibus, longe do calor, da chuva e da incerteza de quem depende do coletivo para sobreviver.



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