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Com escalada do conflito no Oriente Médio, preço dos derivados de petróleo pode subir no Brasil

Com escalada do conflito no Oriente Médio, preço dos derivados de petróleo pode subir no Brasil

Com escalada do conflito no Oriente Médio, preço dos derivados de petróleo pode subir no Brasil

Com a intensificação do conflito no Oriente Médio, o aumento do preço dos derivados de petróleo pode impactar o Brasil. A escalada do conflito na região tem provocado um aumento significativo nos preços do petróleo no mercado internacional. No dia em que o Irã incendiou as instalações da principal refinaria de petróleo do Bahrein, no Golfo Pérsico, o preço do petróleo chegou próximo a US$ 120, atingindo o maior valor desde o início da guerra na Ucrânia em 2022, representando um aumento de quase 30% em apenas 48 horas.

Após o presidente dos EUA, Donald Trump, declarar que a guerra estava praticamente encerrada, o preço do barril encerrou o dia em US$ 87,87. No entanto, o ataque do Irã, que resultou em 32 feridos, evidencia o contrário, sendo o primeiro ataque comandado por Motjaba Khamenei, anunciado como líder supremo após a morte de seu pai, Ali Khamenei, em decorrência dos ataques de Israel e EUA.

Embora o Brasil seja autossuficiente em petróleo e não deva sofrer impactos significativos nos preços a curto prazo, a elevação nos preços dos derivados de petróleo importados, como o diesel e o plástico, poderá ser sentida caso a escalada do conflito persista.

O economista Cloviomar Cararine, do Departamento Intersindical de Estudos e Estatísticas (Dieese), destaca a importância de atentar para a dependência de importações de derivados, em especial do diesel. Atualmente, o Brasil importa cerca de 600 mil barris diários de derivados, sendo aproximadamente 300 mil barris por dia de diesel.

Dados de janeiro de 2026 da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) indicam que o país produz cerca de 4 milhões de barris de petróleo por dia, enquanto o consumo interno de derivados gira em torno de 2,6 milhões de barris diários.

O Brasil refina aproximadamente 2 milhões de barris por dia, exportando ainda uma parte significativa da produção de petróleo. Segundo Cararine, isso evidencia que não há escassez de petróleo para abastecer as refinarias brasileiras.

O coordenador-geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar, avalia que, em termos de oferta de petróleo, a alta no mercado internacional não deve gerar impactos negativos imediatos no mercado nacional.

Por outro lado, a dependência externa do diesel pode impactar os preços dos produtos derivados, desencadeando uma reação em cadeia. Com o aumento do preço internacional do petróleo, os derivados tendem a encarecer, visto que são produzidos a partir do petróleo bruto.

Renato Paquet, ecólogo formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e CEO da Polen, empresa de reciclagem, ressalta que a elevação dos preços dos derivados de petróleo, como embalagens plásticas, pode afetar o custo de alimentos embalados, uma vez que o custo das embalagens tende a subir.

Mesmo com a possibilidade de impacto nos preços dos combustíveis importados, Bacelar assegura que não há previsão de uma crise de abastecimento no Brasil. Ele destaca que o aumento do preço do petróleo pode gerar efeitos positivos a médio prazo, uma vez que a entrada de dólares no país tende a aumentar com a elevação do valor do barril, o que pode contribuir para um superávit nas contas externas e valorização do real frente ao dólar.

‘Estamos vulneráveis’

A urgência da transição energética é ressaltada por ambientalistas, que alertam para a necessidade de reduzir a dependência de combustíveis fósseis, como o petróleo. Renato Paquet destaca que, além da questão ambiental, a dependência do petróleo representa uma vulnerabilidade econômica e geopolítica.

“A guerra expõe não apenas a dependência do petróleo como fonte de energia, mas também a nossa vulnerabilidade diante de conflitos geopolíticos, especialmente envolvendo países fundamentalistas e extremistas”, afirma Paquet, enfatizando a presença do petróleo em diversos aspectos da vida cotidiana.

Ticiana Alvares, diretora técnica do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), destaca a importância de o Brasil buscar a redução da dependência externa na produção de diesel, querosene de aviação, gasolina, gás de cozinha e fertilizantes. Ela ressalta que a dependência externa, que alcançava cerca de 85% do consumo no ano anterior, já está refletindo nos preços dos fertilizantes.

Ela alerta que, se o país não buscar soluções para os problemas de segurança energética e nacional, especialmente em relação aos fertilizantes, estará sujeito a futuros impasses geopolíticos e interrupções no transporte de mercadorias e commodities, tornando-se ainda mais vulnerável em relação a insumos estratégicos.

Com a escalada do conflito, outras regiões do mundo podem ser afetadas, evidenciando a importância da transição energética e do afastamento dos combustíveis fósseis. Deyvid Bacelar destaca que, caso o conflito se alastre e afete rotas estratégicas, como o Mar Vermelho e o Canal de Suez, os impactos no fluxo global de petróleo e gás podem se intensificar, especialmente afetando o abastecimento da Ásia e da Europa.

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