Garantir que os alimentos cheguem ao consumidor final sem perdas segue como um desafio global. Segundo a Organização das Nações Unidas, mais de 13% da produção mundial de alimentos se perde entre a colheita e a venda. No Brasil, o desperdício também é expressivo.
Dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária indicam perdas anuais de 12,7 milhões de toneladas, volume que agrava a insegurança alimentar, pressiona custos e amplia desigualdades sociais.
Diante desse cenário, o uso de tecnologia para reduzir o desperdício passou a ganhar espaço no varejo. A aplicação de inteligência artificial permite antecipar falhas na gestão de estoques e atuar antes que os alimentos se tornem impróprios para venda.
Segundo Mateus Magno, CEO da Magnotech Gestão, algoritmos preditivos analisam dados de vendas, inventário, temperatura e umidade para identificar padrões de risco. A partir dessas informações, o varejo consegue estimar a probabilidade de avarias e agir de forma preventiva.
Esse tipo de análise orienta ajustes em sistemas de refrigeração, reorganização de estoques, revisão de volumes de compra e redistribuição de produtos. Como resultado, o desperdício é reduzido, a disponibilidade de itens frescos aumenta e a operação se torna mais eficiente.
Empresas do setor varejista já registram efeitos práticos com esse modelo de gestão orientado por dados. Entre elas estão Red Bull, Assaí, Johnson & Johnson, Forno de Minas, Danone e Mococa. Em conjunto, essas companhias relataram aumento de vendas de pelo menos 41%, avanço na satisfação dos clientes de 43% para 94% e economia superior a 480 horas mensais com automação do back-office.
Outro ponto observado foi o tratamento imediato de todos os processos considerados críticos, o que reduziu gargalos operacionais e ampliou a agilidade nas decisões do dia a dia.
Além dos ganhos financeiros, a redução do desperdício gera impacto ambiental direto. Para Magno, o uso de inteligência artificial permite conciliar eficiência operacional com práticas mais responsáveis ao longo da cadeia de abastecimento.
Ao incorporar dados e tecnologia à gestão, o varejo amplia sua capacidade de enfrentar o desperdício, reforça a segurança alimentar e avança na adoção de processos mais alinhados às demandas econômicas e sociais atuais.
