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Cotado para o Ministério da Justiça, Camilo Santana diz querer continuar ‘ajudando’ na educação | Política

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O ministro da Educação, Camilo Santana, desconversou ao ser questionado, nesta quinta-feira (8), sobre a possibilidade de assumir o Ministério da Justiça, como mostrou o Valor em reportagem dessa quarta-feira (7). Abordado pela imprensa nesta manhã, Camilo deu a entender que quer seguir onde está.

“Só estou sabendo pelos jornalistas. Quero continuar ajudando na educação. O cargo [de ministro] é dele [Lula]. Estou lá [no MEC] para cumprir uma missão”, respondeu.

As especulações começaram diante da decisão do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, de deixar o cargo no fim desta semana. O nome de Camilo vem ganhando força por conta da percepção de que não há tempo hábil para criar a pasta da Segurança Pública ainda neste ano, e de que um ex-governador, com histórico de atuação firme nessa área, seria o melhor perfil para o lugar de Lewandowski.

Lula desembarcou no fim da tarde da terça-feira (6) em Brasília, de volta do recesso na base militar da Restinga de Marambaia, no Rio de Janeiro, e seguiu para a Granja do Torto. Nas últimas horas, esteve envolvido nos desdobramentos do ataque dos Estados Unidos à Venezuela e na organização da solenidade relativa ao 8 de janeiro, nesta quinta-feira. Aliados, entretanto, fizeram chegar vários nomes até o presidente. Num primeiro momento, o secretário-executivo, Manoel Carlos de Almeida Neto, deverá responder interinamente pela pasta.

Fontes do governo e do PT ouvidas pelo Valor afirmam que está amadurecendo a avaliação sobre o perfil ideal para a vaga, num cenário em que a segurança pública deverá ser um dos principais temas da campanha eleitoral. Diante disso, tem sido ventilado o nome de Camilo Santana, também ex-governador do Ceará.

Segundo uma fonte do governo, Camilo é lembrado por sua atuação à frente da greve de parte da Polícia Militar, que se estendeu de 18 de fevereiro a 2 de março de 2020, desencadeando uma das piores crises de segurança do Estado. Ainda no meio da paralisação, o número de assassinatos havia saltado 138% em relação ao mesmo período de 2019, segundo dados oficiais. Camilo recebeu reforços das polícias de outros Estados do Nordeste, como Piauí e Bahia, e conseguiu encerrar a greve sem anistiar os amotinados.

A fonte alega que Camilo, que foi duas vezes governador, também teria se destacado no combate às facções, que nos últimos anos, ampliaram seus domínios no Ceará. Além disso, é um dos principais quadros do PT, nome da confiança de Lula e está no meio do mandato de senador, ou seja, não vai disputar cargo nas eleições de outubro. Paralelamente, circulam outros nomes nos bastidores, como o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o coordenador do grupo Prerrogativas e amigo do presidente, Marco Aurélio Carvalho.

Outra fonte pondera que somente o ex-titular da pasta Flávio Dino, hoje ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), conciliou os dois requisitos que Lula havia estabelecido para o comando do MJSP. Dino era um jurista respeitado, egresso da magistratura federal, e ex-governador do Maranhão, com experiência na área de segurança. Quando escolheu Lewandowski, Lula priorizou o perfil de jurista conceituado, egresso do STF. Agora, na falta de alguém que concilie os dois atributos, a prioridade, segundo aliados, seria o currículo na segurança pública, face à relevância eleitoral do tema.

As mesmas fontes descartam a eventual criação do Ministério da Segurança Pública ainda neste ano. Alegam a falta de tempo hábil e o excesso de burocracia para uma missão que soaria artificial, com objetivo unicamente eleitoral. A avaliação é de que a proposta deveria ser apresentada por Lula como compromisso da campanha à reeleição.

Ministro da Educação, Camilo Santana — Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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