×

Crise na fronteira de Ceuta alimenta extrema direita na UE, diz comissário | Mundo

Crise na fronteira de Ceuta alimenta extrema direita na UE, diz comissário | Mundo

Crise na fronteira de Ceuta alimenta extrema direita na UE, diz comissário | Mundo

Imagens de migrantes atravessando a fronteira para entrar no enclave espanhol de Ceuta, no norte da África, alimentaram o apoio a partidos de extrema direita, apesar da forte queda nas chegadas irregulares à Europa após o endurecimento das políticas migratórias, disse nesta sexta-feira o comissário da União Europeia para Migração,

Mais de 72 mil pessoas entraram em massa no enclave a partir do Marrocos no fim de julho, embora a maioria tenha deixado o território posteriormente. A Espanha estima que 12 mil migrantes, incluindo menores de idade, permaneçam no pequeno território.

“Temos números em queda, mas as imagens de Ceuta, é claro, acabam ofuscando os avanços concretos e os fatos e números reais”, disse Brunner à Reuters em entrevista.

Ele afirmou que essas imagens “alimentam a extrema direita” e que, por isso, “é tão importante devolver essas pessoas o mais rápido possível, para mostrar que temos o controle”.

Questionado sobre a proposta apresentada na quarta-feira pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, para criar um mecanismo emergencial destinado a impedir movimentos em massa de migrantes “orquestrados e usados como arma”, Brunner afirmou que os detalhes serão discutidos na próxima reunião do Conselho da UE, que reúne os Estados-membros. “Mas, antes de tudo, precisamos implementar o sistema que já acordamos”, acrescentou.

O sentimento contrário à imigração continua sendo uma força política significativa em toda a Europa desde que mais de 1 milhão de pessoas, muitas delas sírias fugindo da guerra, chegaram ao bloco em 2015. O aumento do fluxo contribuiu para ampliar o apoio a partidos nacionalistas e de ultradireita e levou muitos governos a adotar políticas migratórias mais rígidas, concentradas em dissuadir novas chegadas e promover o retorno de migrantes.

Brunner também defendeu a decisão da Comissão Europeia de facilitar conversas entre os Estados-membros da UE e autoridades do Talibã, enquanto governos buscam maneiras de devolver ao Afeganistão afegãos condenados por crimes na Europa. Grupos de defesa dos direitos humanos criticaram a medida, afirmando que ela confere legitimidade aos governantes islâmicos do Afeganistão, coloca afegãos em risco e enfraquece valores fundamentais da UE.

“Eles são assassinos; são criminosos. E acho que é do interesse da União Europeia e dos cidadãos europeus, é claro, devolvê-los”, disse Brunner, ao ser questionado sobre como o bloco poderia garantir que os deportados enviados ao Afeganistão não fossem alvo de perseguição ou sofressem outros danos.

“Acho que, acima de tudo, trata-se da segurança europeia e da segurança dos cidadãos europeus.”

Créditos