Todos os 10 promotores de Justiça que compõem o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) no Maranhão entregaram, neste domingo, 11 de janeiro de 2026, um pedido de exoneração coletiva das funções. O documento foi encaminhado ao procurador-geral de Justiça, Danilo José de Castro Ferreira, e expõe uma crise interna após a cúpula do Ministério Público defender, no Tribunal de Justiça, a revogação das prisões preventivas de investigados da Operação Tântalo II, deflagrada em 22 de dezembro de 2025 em Turilândia.
No memorando, os promotores afirmam que a manifestação da Procuradoria-Geral “revelou-se dissonante” do entendimento técnico-jurídico adotado pelo grupo ao longo da apuração. Também sustentam que o posicionamento “enfraquece a atuação institucional” no combate ao crime organizado e pode afetar a credibilidade de investigações complexas e a efetividade das medidas cautelares.
O ponto que acendeu o estopim foi o parecer do Ministério Público favorável à soltura dos investigados, incluindo o prefeito de Turilândia, Paulo Curió (União Brasil), apontado pelo MP como um dos líderes do esquema apurado. No mesmo parecer, o MP defendeu manter o afastamento do prefeito do cargo e aplicar medidas cautelares, como proibição de contato com outros investigados, restrição de acesso a órgãos públicos e comparecimento periódico em juízo.
Aqui entra um detalhe que torna o episódio ainda mais indigesto dentro do MP: o parecer que embasou o pedido de soltura não foi assinado por Danilo de Castro, mas sim pelo procurador-geral de Justiça em exercício, Orfileno Bezerra Neto, e remetido à 3ª Câmara Criminal do TJMA, onde a relatoria ficou com a desembargadora Maria da Graça Peres Soares Amorim. Mesmo assim, o recado político e institucional caiu no colo do titular, Danilo, que recebeu o pedido coletivo de saída do Gaeco.
Segundo as informações divulgadas, a Operação Tântalo II apura suspeitas de fraudes em licitações, uso de empresas de fachada, movimentações financeiras atípicas e possível pagamento de propina para sustentação política no município. O Judiciário havia decretado as preventivas com base no conjunto de indícios reunidos na investigação, mas a Procuradoria-Geral sustentou que, com o avanço da operação e as provas já colhidas, os riscos poderiam ser contidos com cautelares alternativas.
Segundo o Ministério Público, os valores investigados ultrapassariam R$ 56 milhões.
Para evitar que a crise paralise apurações em andamento, os promotores afirmaram que vão preparar um relatório circunstanciado com o que já foi feito e o que ainda está em curso, para garantir transição e continuidade dos trabalhos. Assinam o pedido, entre outros, o coordenador do Gaeco, Luiz Muniz Rocha Filho, além de nove promotores que atuam em diferentes frentes no estado.
