Logo após as primeiras notícias à respeito do ataque dos Estados Unidos à Venezuela, na manhã deste sábado (3), políticos do partido Democrata usaram as redes sociais e outros espaços para apontar os riscos e contradições da ação.
O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, informou ter telefonado para Trump para expressar sua oposição ao ataque, bem como ao sequestro do presidente do país, Nicolás Maduro.
Na rede social X, Mamdani classificou a operação dos Estados Unidos como um “ato de guerra e uma violação dos direitos federal e internacional”.
“Atacar unilateralmente uma nação soberana é um ato de guerra e uma violação do direito federal e internacional”, escreveu o prefeito de Nova York. Ele declarou, ainda, que a ação “não afeta apenas aqueles que estão no exterior, mas impacta diretamente os nova-iorquinos, incluindo dezenas de milhares de venezuelanos que consideram esta cidade seu lar”.
Por fim, o prefeito informa que sua administração continuará “monitorando a situação e publicando orientações relevantes”.
Em uma coletiva de imprensa neste sábado – que não tinha a Venezuela como tema central – Mamdani falou sobre sua breve conversa por telefone com o presidente dos Estados Unidos, quando teria se posicionado “contra a busca por uma mudança de regime e contra a violação das leis federais e internacionais”. “Manifestei minha oposição, deixei isso claro e encerramos o assunto”, declarou.
‘Isso não é sobre drogas’
Sem apresentar qualquer prova, Trump sequestrou Maduro sob a alegação de que o presidente venezuelano teria envolvimento com narcotráfico. Na rede social X, a congressista Alexandria Ocasio-Cortez lembrou que a ação dos Estados Unidos “não é sobre drogas”.
“Se fosse, Trump não teria perdoado um dos maiores narcotraficantes do mundo no mês passado”, escreveu, em referência ao indulto concedido por Trump a Juan Orlando Hernández, ex-presidente de Honduras que cumpria uma pena de 45 anos de prisão nos EUA por narcotráfico. “Isso é sobre petróleo e mudança de regime”, apontou Ocasio.
Também no X, o senador Chris Murphy, de Connecticut, declarou que “toda a política externa de Trump visa enriquecer Wall Street e a indústria petrolífera”. Ele afirma que “a ação militar inconstitucional de Donald Trump na Venezuela está colocando nossas tropas em perigo sem nenhuma estratégia de longo prazo”.
Para Pete Buttigieg, candidato à presidência em 2020 e secretário de transportes no governo de Joe Biden, Trump está seguindo um “padrão antigo e óbvio”. “Um presidente impopular — fracassando na economia e perdendo o controle do poder internamente — decide lançar uma guerra para mudança de regime no exterior”, disse, de acordo com informações do The New York Times.
Os senadores Mark Kelly e Ruben Gallego, do Arizona, ambos veteranos militares, também se manifestaram, lembrando de outros ataques conduzidos pelos Estados Unidos. Mesmo classificando Maduro como “ditador”, Kelly, alerta que “se aprendemos alguma coisa com a guerra do Iraque, é que bombardear ou derrubar um líder não garante democracia, estabilidade ou torna os americanos mais seguros”.
Gallego, que esteve no Iraque como fuzileiro naval, usou o X que para classificar o governo Trump como “uma administração incompetente”.
“O povo americano foi muito claro: não quer ser ocupante novamente e não quer ser a polícia do mundo”, disse, em entrevista à Fox News e publicada em seu perfil no X.
Entenda
Na madrugada deste sábado (3), os Estados Unidos lançaram uma ofensiva militar contra a Venezuela, atingindo alvos civis e militares em Caracas e em outras regiões do país. Segundo o governo venezuelano, a ação resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores, que teriam sido levados para fora do país. A vice-presidenta Delcy Rodríguez afirmou que o paradeiro do casal segue desconhecido e exigiu uma prova de vida. O governo decretou estado de comoção externa e convocou mobilizações em defesa da soberania nacional.
Durante coletiva de imprensa na tarde deste sábado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a Casa Branca quer administrar a Venezuela até que seja realizada uma “transição democrática e justa”. Ele celebrou o sequestro de Nicolás Maduro como um “ataque extraordinário”. Trump também deixou claro o interesse direto no controle do petróleo venezuelano, afirmando que o recurso foi “roubado” dos Estados Unidos e que será entregue a uma empresa estadunidense.
