A Oracle está sendo processada por detentores de títulos de dívida que afirmam ter sofrido prejuízos porque a empresa, presidida pelo bilionário Larry Ellison, ocultou a necessidade de vender um volume significativo de dívida adicional para expandir sua infraestrutura de inteligência artificial (IA).
A proposta de ação coletiva foi protocolada em um tribunal estadual de Nova York, em Manhattan, em nome de investidores que afirmam ter comprado US$ 18 bilhões em notas sênior e títulos emitidos pela Oracle em 25 de setembro, logo após a empresa de software e computação em nuvem assinar um contrato de US$ 300 bilhões para fornecer poder computacional à OpenAI, de Sam Altman.
Esses investidores disseram ter sido pegos de surpresa quando a Oracle retornou ao mercado de capitais sete semanas depois para obter US$ 38 bilhões em empréstimos visando financiar dois “data centers” no Texas e em Wisconsin para sustentar o acordo com a OpenAI.
“A reação do mercado de títulos à dívida adicional da Oracle foi rápida e severa”, disseram os detentores de títulos, à medida que seus próprios papéis se desvalorizaram e passaram a ser negociados com rendimentos e spreads comparáveis aos de dívidas de empresas com classificações inferiores, devido à percepção de maior risco de crédito. As notas e títulos da Oracle possuíam classificações de grau de investimento baixo.
Os detentores de títulos, liderados pelo Ohio Carpenters’ Pension Plan, afirmaram que as declarações nos documentos de oferta de seus títulos, dizendo que a Oracle “poderia” precisar tomar mais empréstimos, eram falsas e enganosas, pois a empresa já planejava fazê-lo.
Os detentores de títulos disseram que a Oracle, Ellison, a ex-diretora-presidente Safra Catz, a diretora de contabilidade Maria Smith e 16 bancos subscritores são estritamente responsáveis, sob a Lei de Valores Mobiliários federal de 1933, por essas declarações e devem pagar indenizações não especificadas.
A Oracle não quis comentar. Os advogados dos detentores de títulos não responderam imediatamente aos pedidos de comentário.
A Oracle encerrou novembro com cerca de US$ 108 bilhões em notas em circulação e outros empréstimos.
Sede da Oracle em Redwood City, Califórnia — Foto: David Paul Morris/Bloomberg
