Dólar e Ibovespa operam em queda, à espera da Superquarta, com cautela sobre Fed e tensões geopolíticas
Dólar e Ibovespa registram queda antes da Superquarta, com preocupações em relação ao Fed e tensões geopolíticas
Entenda o que influencia a variação do dólar
O dólar estava em baixa de 0,07% nesta segunda-feira (26), sendo negociado a R$ 5,2832 por volta das 11h. Enquanto isso, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, apresentava queda de 0,47% no mesmo horário, atingindo os 178.017 pontos.
O destaque econômico da semana é a Superquarta, que engloba decisões sobre taxas de juros nos Estados Unidos e no Brasil. A expectativa é de que as taxas sejam mantidas tanto nos EUA (entre 3,50% e 3,75%) como no Brasil (15% ao ano).
No âmbito geopolítico, o mercado está atento às ameaças do presidente dos EUA, Donald Trump, de usar ação militar contra países que não cooperarem em sua estratégia contra adversários como Rússia e China.
A Nova Estratégia Nacional de Defesa dos EUA, divulgada pelo Departamento de Guerra na sexta-feira, busca garantir a plena supremacia militar e comercial dos EUA “do Ártico à América do Sul”.
Donald Trump também renovou a ameaça de impor tarifas de 100% ao Canadá caso o país avance em um pacto comercial com a China.
O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, afirmou que o país não busca fechar esse tipo de acordo, enquanto o Ministério das Relações Exteriores da China declarou que os acordos comerciais e econômicos com o Canadá não visam terceiros países.
Nos EUA, a expectativa gira em torno da escolha do novo presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano). Rumores indicam que Trump pode anunciar o sucessor do atual presidente da instituição, Jerome Powell, ainda nesta semana.
Investidores estão preocupados com a nomeação de Trump, devido à incerteza sobre o quanto o novo escolhido será influenciado pela pressão do presidente por uma redução das taxas de juros, o que poderia comprometer a autonomia do banco central.
Além disso, a possibilidade de um novo shutdown do governo dos EUA também está gerando tensão no mercado, com os democratas resistindo em votar o Orçamento, exigindo mudanças na segurança após um incidente envolvendo agentes federais.
No Brasil, a última edição do Boletim Focus revela que os economistas rebaixaram a projeção de inflação para 2026 de 4,02% para 4%. A previsão para a taxa Selic é de queda para 12,25% ao final do ano. Quanto ao PIB, espera-se um crescimento de 1,8%. O dólar, por sua vez, deve encerrar 2026 em R$ 5,51.
Confira mais detalhes do dia no mercado:
Dólar
Acumulado da semana: -1,60%;
Acumulado do mês: -3,68%;
Acumulado do ano: -3,68%.
Ibovespa
Acumulado da semana: +8,53%;
Acumulado do mês: +11,01%;
Acumulado do ano: +11,01%.
Tensões geopolíticas
Acordo entre China e Canadá
O presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou impor tarifas de 100% sobre produtos importados do Canadá caso o país feche um acordo comercial com a China. Na semana passada, os dois países anunciaram uma nova parceria estratégica durante a visita do primeiro-ministro canadense, Mark Carney, a Pequim.
Essa foi a primeira visita de um líder canadense à China em oito anos. O acordo prevê a redução das tarifas chinesas sobre a canola canadense e a entrada de quase 50 mil carros elétricos chineses no Canadá com uma tarifa de 6,1%, bem abaixo dos atuais 100%.
Carney busca restabelecer os laços com o segundo maior parceiro comercial do Canadá, depois dos EUA, após meses de esforços diplomáticos.
Em resposta, Trump afirmou que se o Canadá firmar um acordo com a China, estará sujeito a uma tarifa de 100% sobre todos os produtos canadenses que entrarem nos EUA.
O Ministério das Relações Exteriores da China declarou que os acordos com o Canadá não têm como alvo terceiros países, em resposta à ameaça tarifária dos EUA.
“A China acredita que os países devem conduzir suas relações de forma mutuamente benéfica, por meio da cooperação e não do confronto”, disse o porta-voz do ministério, Guo Jiakun.
Agenda econômica
Boletim Focus
Economistas do mercado financeiro reduziram a projeção de inflação para 2026, de 4,02% para 4%, segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (26) pelo Banco Central. A expectativa é que a inflação medida pelo IPCA fique abaixo do registrado em 2025, que encerrou em 4,26%. Para os próximos anos, as projeções se mantêm estáveis: 3,80% para 2027 e 3,50% para 2028 e 2029.
O mercado também prevê que a taxa Selic continuará em trajetória decrescente, com estimativa de redução para 12,25% ao final de 2026 e 10,50% em 2027. Quanto ao crescimento do PIB em 2026, a previsão se mantém em 1,8%, abaixo dos 2,25% projetados para 2025. A cotação do dólar deve fechar o ano em R$ 5,51, conforme o mesmo levantamento.
Bolsas globais
Em Wall Street, os mercados iniciaram a semana sem uma direção clara, com destaque para os resultados de grandes empresas e a decisão de juros do banco central americano prevista para os próximos dias.
No fechamento, os índices asiáticos mostraram movimentos leves, com destaque para a alta de empresas de metais e finanças e a queda de empresas de tecnologia.
*Com informações da agência de notícias Reuters
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