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Entidade cobra governo após Saúde admitir alcance reduzido de sua política menstrual

Entidade cobra governo após Saúde admitir alcance reduzido de sua política menstrual

Entidade cobra governo após Saúde admitir alcance reduzido de sua política menstrual

Mulher usa papel para conter a menstruação. Foto: Maria Ribeiro/P&G

A organização Criola, organização ativista do movimento de mulheres negras, cobrou do governo federal a elaboração de um plano estruturado e interministerial para implementar a política nacional de dignidade menstrual no Brasil. A cobrança ocorreu após audiência de conciliação com representantes da União e do Ministério Público Federal nesta quarta-feira (28). Segundo a entidade, técnicos do Ministério da Saúde admitiram no encontro que o programa atinge apenas cerca de 10% de sua capacidade prevista.

A audiência é desdobramento de uma ação civil pública movida pela entidade desde 2022, que questiona a demora do Estado brasileiro em regulamentar e executar o Programa de Proteção e Promoção da Saúde e da Dignidade Menstrual. A política foi instituída pela Lei nº 14.214/2021 e regulamentada pelo Decreto nº 11.432/2023, para assegurar oferta gratuita de absorventes e cuidados básicos de saúde menstrual.

A fundadora e coordenadora-geral do grupo, Lúcia Xavier, afirmou que a organização saiu frustrada da audiência. “Falar de dignidade menstrual é falar também de saúde sexual e reprodutiva, de justiça reprodutiva e de cidadania”, disse. Ela afirmou que a ausência de respostas concretas mantém meninas e mulheres negras sem acesso pleno a direitos básicos.

Três ministérios considerados estratégicos não compareceram à audiência: Ministério das Mulheres, Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, e Ministério da Igualdade Racial. Para a organização, a dignidade menstrual não pode ser tratada apenas como distribuição de absorventes, mas exige ações integradas em saúde, educação, assistência social, direitos humanos e igualdade racial.

Campanha do Criola por dignidade menstrual às mulheres. Foto: Divulgação/CRIOLA

Ao final da audiência, a Justiça Federal deu prazo de 20 dias para que a União apresente um levantamento consolidado das ações executadas pelos ministérios envolvidos. De acordo com Juliana Martins, assistente de coordenação e incidência política da Criola, o prazo foi tratado pelo juiz como definitivo. Se os dados não forem entregues, uma nova audiência poderá ser solicitada ou o caso poderá seguir para sentença e multa.

A organização afirma que o modelo atual segue concentrado principalmente no Programa Farmácia Popular e é insuficiente para alcançar populações historicamente excluídas, como adolescentes menores de 16 anos desacompanhadas, pessoas em situação de rua, população privada de liberdade e moradores de áreas periféricas e rurais.

O debate integra a campanha “Não atrapalhe nosso fluxo”, articulada pela associação para ampliar a discussão sobre pobreza menstrual no país. Em projeção exibida em Brasília, a campanha afirma: “Menstruar no Brasil não pode ser um desafio”.

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