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Espírito Santo aprova lei que reforça competência estadual sobre gasodutos

Espírito Santo aprova lei que reforça competência estadual sobre gasodutos

Espírito Santo aprova lei que reforça competência estadual sobre gasodutos

RIO — A Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales) aprovou um projeto de lei, para reforçar a competência do estado sobre a regulação dos gasodutos de distribuição. A concessão capixaba de gás canalizado foi privatizada pelo governo de Renato Casagrande (PSB) em 2023 e é operada pela ES Gás, controlada pela Energisa. 

O PL 888/2025 é uma resposta à Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que propôs este ano limites técnicos de diâmetro e pressão para classificação de gasodutos como de transporte.

Os estados, seja por meio das distribuidoras e agências reguladoras, seja por meio do Executivo e Legislativo, acusam a ANP de extrapolar suas competências. E fazem pressão para que o regulador recue da minuta de resolução proposta.

Ao enviar a matéria ao Legislativo, o governador Casagrande justificou que a ideia é evitar que a ANP, “ao delimitar de forma ampla certas atividades afetas à movimentação de gás natural, venha trazer implicações jurídicas e/ou encampar atribuições que são de competência constitucional dos Estados”.

A mensagem do Executivo também cita a intenção de “impedir sobreposição normativa” e de “preservar a segurança jurídica” no estado.

O que diz o texto

O texto do PL 888 define como serviços locais de gás canalizado:

  • a distribuição a todos os usuários finais localizados em seu território, independente da origem do gás, da natureza dos usuários e da atividade por eles exercidas;
  • características técnicas da infraestrutura vinculada à prestação dos serviços locais de gás canalizado não alteram a definição e nem a titularidade dos serviços;
  • além disso, reforça que as características técnicas da infraestrutura de distribuição seguirão regulamentação de competência da Agência Reguladora de Serviços Públicos do Espírito Santo (ARSP), além de legislação estadual e federal. 

Aprovado na segunda-feira (15/12), o projeto de lei aguarda sanção do governador.

A matéria foi aprovada um mês depois da realização de uma sessão especial na Ales para tratar das competências constitucionais dos estados na regulação da infraestrutura e que contou com a mobilização da Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás).

Na ocasião, o presidente da Alse, Marcelo Santos (União), anunciou que pretendia enviar ao Executivo uma minuta de projeto de lei para reforçar a competência estadual sobre a regulação dos gasodutos de distribuição. 

Codesul pauta classificação de gasodutos

Além do Espírito Santo, o debate sobre os conflitos federativos na classificação de gasodutos ganhou corpo em outros estados.

Nesta terça-feira (16/12), o assunto entrou na pauta da reunião do Conselho de Desenvolvimento e Integração Sul (Codesul), que reúne Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul.

O encontro, realizado no Palácio Iguaçu, em Curitiba (PR), marcou a posse do governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), como presidente do Conselho, e contou com apresentação do presidente executivo da Abegás, Marcelo Mendonça.

A Abegás judicializou o tema. Ajuizou uma ação direta de inconstitucionalidade (ADI) no Supremo Tribunal Federal (STF) questionando a raiz da questão: os trechos da Lei do Gás de 2021 que atribuem à ANP a competência para definir os critérios técnicos para classificação de gasodutos de transporte.

Vinte estados, por meio do Colégio Nacional de Procuradores-Gerais dos Estados (Conpeg), endossaram os questionamentos da Abegás e pediram para entrar como partes interessadas na ação.

Em entrevista à agência eixos, Mendonça vê uma mobilização dos estados em torno do assunto. Citou o movimento recente do Conpeg e comemorou a aprovação do PL pela Ales esta semana.

Ele acredita que o Espírito Santo dá uma sinalização positiva para outros estados.

Na véspera, a Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) realizou audiência pública para debater a minuta de resolução da ANP e seus impactos sobre a competência dos estados na regulação dos gasodutos de distribuição.

Na audiência, a secretária executiva do Consórcio de Integração Sul e Sudeste (Cosud), Roberta Guimarães, informou que o tema será levado ao novo presidente do consórcio, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), em 2026.

ANP adia regulamentação

Em meio à oposição dos estados, a ANP adiou, de dezembro de 2025 para maio de 2026, o prazo para conclusão da regulamentação.

O conflito é constitucional:

  • o artigo 25 dá aos estados o direito sobre a exploração dos serviços de gás canalizado (a distribuição), incluindo sua regulamentação de concessões e tarifas;
  • enquanto o artigo 177 assegura o monopólio da União no controle do mercado de óleo e gás natural, no caso, no transporte. 

A Abegás vê na proposta da ANP um risco de expropriação de ativos das distribuidoras estaduais. 

A minuta de resolução apresentada pela ANP (na íntegra, em .pdf) orienta a agência a, sempre que observar que o projeto de um novo gasoduto possua características técnicas conflitantes com os limites estabelecidos na nova resolução, abrir processo administrativo para análise da reclassificação do ativo como de transporte. 

A ANP defende que sua proposta de regulamentação segue o comando legal. 



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