Moradores e comerciantes do Leme e de parte de Copacabana enfrentam mais de 24 horas de falta de energia elétrica neste domingo. O problema atinge uma extensa área que segue desde a Rua Duvivier, na altura do Posto 2 da praia de Copacabana, até o bairro do Leme, segundo relatos da população local. A Light, concessionária responsável pelo serviço, segue atuando na área nesta tarde.
- Cheiro de fumaça persiste e incomoda moradores dois dias depois de incêndio em shopping na Tijuca
- Abertura não oficial do carnaval leva blocos às ruas do Rio no primeiro domingo do ano mesmo debaixo de chuva
Entre as vias afetadas estão a Rua Demétrio Ribeiro, a Rua Felipe de Oliveira e a Avenida Princesa Isabel. Nesta última, o serviço segue instável: no sentido Avenida Atlântica, a energia oscila até a altura da Rua Ministro Viveiros de Castro, enquanto no sentido Botafogo o fornecimento permanece interrompido.
Na Rua Ministro Viveiros de Castro, no trecho até a Avenida Prado Junior, moradores relatam dificuldades desde a tarde de sábado. Porteiro de um edifício na região, Antonio Menezes afirma que o problema se agravou ao longo do dia.
— Desde ontem de tarde a luz acabou por aqui. Hoje de manhã ainda tiveram algumas fases com energia, mas depois caiu tudo — contou.
Embora sinais de trânsito na Avenida Princesa Isabel estejam funcionando no sentido da Avenida Atlântica, comércio e edifícios residenciais seguem sem luz — Foto: Walter Farias
A falta de energia também atinge a Avenida Prado Junior. Entre os números 145 e 160, no trecho entre as ruas Ministro Viveiros de Castro e Nossa Senhora de Copacabana, o fornecimento segue interrompido até a orla. Na esquina da via com a Avenida Nossa Senhora de Copacabana, equipes da Light iniciaram, por volta das 13h, a instalação de um gerador para atender parte da região.
A situação preocupa moradores que dependem diretamente da energia elétrica para cuidados de saúde. Marcia Calaza, que vive com o marido na Avenida Nossa Senhora de Copacabana, entre a Rua Belford Roxo e a Avenida Prado Junior, relata dificuldades no dia a dia.
— A cama hospital do meu marido só funciona com luz, infelizmente. A Light havia nos informado que ao meio-dia de hoje ela estaria restabelecida, mas até agora nada — disse.
Equipes da Light trabalham na instalação de um gerador de energia, na Avenida Prado Junior — Foto: Walter Farias
O condomínio onde Marcia mora é administrado por Rose Barros, que fez um apelo diante do cenário.
— Como grande parte do bairro, nosso prédio tem maioria dos moradores idosa. Então, temos diferentes tipos de dependência de energia, desde locomoção com elevadores até questões de saúde. Queremos entender o que acontece — afirmou. Diante da dificuldade de mobilidade, um grupo de moradores do edifício combinou de levar celulares para carregar em um endereço próximo que segue com fornecimento de energia.
- Defesa Civil do Rio emite aviso de chuvas intensas para o estado; Petrópolis tem alerta e pontos de apoio abertos
O comércio da região também sofre impactos significativos. Na Avenida Nossa Senhora de Copacabana, na altura do número 115, uma loja de produtos farmacêuticos mantém o funcionamento com apoio de um gerador para evitar o desabastecimento da clientela. No entanto, no Leme, estabelecimentos da orla permanecem fechados desde a tarde de sábado. Chefe de quiosque na Praia do Leme, Robson Luz estima prejuízo entre R$ 15 mil e R$ 20 mil.
— Estamos tomando um prejuízo enorme por conta desta falta de luz. Havíamos sido informados que o serviço seria normalizado no meio do dia, no entanto, já se passaram mais de duas horas do prazo da concessionária e ainda estamos com problemas. Espero que isso seja resolvido o quanto antes, porque o prejuízo é grande. Tem funcionários, estoque, talvez equipamentos — disse.
Equipes da Cet-Rio seguem em diferentes pontos do Leme e Copacabana, para auxiliar no trânsito da região — Foto: Walter Farias
Procurada, a Light informou que as equipes seguem trabalhando no local e que ainda não há previsão de normalização total. Segundo a concessionária, como a ação criminosa foi de grande proporção e a rede é extensa, os problemas vão sendo identificados à medida que a recomposição do sistema é realizada.
Em nota, a empresa informou que atua para restabelecer o fornecimento de energia em trechos de ruas do Leme e de Copacabana após uma sobrecarga no sistema subterrâneo, causada por furtos de cabos. Ao longo de 2025, a Light afirma ter identificado e reposto cerca de três quilômetros de cabos furtados na região. Na ocorrência mais recente, foi constatada a necessidade de reposição de outros três quilômetros de cabos subtraídos.
Viaturas da Light estão estacionadas em diferentes ruas de Copacabana e Leme — Foto: Walter Farias
Ainda de acordo com a concessionária, cerca de 25 equipes trabalham no local, e geradores estão sendo instalados para minimizar os impactos aos clientes e acelerar o restabelecimento do serviço. A Light esclareceu que o furto de cabos na rede subterrânea possui dinâmica complexa e compromete o fornecimento de energia a médio e longo prazo.
A empresa explicou que, diferentemente de um corte imediato, quadrilhas especializadas retiram parte das linhas de distribuição e deixam apenas uma ativa. A prática é planejada para que a falta de luz não ocorra de forma imediata, dificultando o flagrante, mas forçando a rede a operar acima da capacidade. Com isso, ocorre a sobrecarga que, após algum tempo, leva à interrupção do serviço.
