Falta mulher no comando da transição
NESTA EDIÇÃO. Relatório da Irena mostra que as energias renováveis empregam 16,6 milhões de pessoas no mundo, mas apenas 32% são mulheres.
A maioria ocupa cargos administrativos, enquanto posições técnicas e estratégicas seguem dominadas por homens.
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Pelo menos 16,6 milhões de pessoas estavam direta ou indiretamente empregadas no setor de energias renováveis em 2024 – o nível mais alto de emprego registrado globalmente até o momento, segundo novo relatório da (Agência Internacional de Energias Renováveis Irena, em inglês).
Mas as mulheres continuam sub-representadas.
De acordo com o levantamento (.pdf), produzido em colaboração com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), as mulheres ocupam 32% dos empregos em tempo integral — mesmo patamar de cinco anos atrás.
Esses empregos, no entanto, concentram-se em funções administrativas, enquanto posições de alto nível de tomada de decisão são majoritariamente ocupadas por homens.
O índice de empregabilidade feminina em indústrias essenciais à transição energética fica abaixo da média global da força de trabalho, de 43,4%. Ainda assim, é superior ao observado nos setores de petróleo e gás (23%) ou de energia nuclear (25%).
Enquanto elas representam 45% das funções administrativas em empresas de energia eólica e solar, entre outras, esse percentual despenca para 28% em vagas ligadas a STEM (como engenheiras, cientistas de dados e especialistas técnicos) e a apenas 22% dos empregos de média qualificação, como instalação de sistemas solares ou construção.
Nos níveis mais altos de tomada de decisão, a presença feminina é ainda mais reduzida: 26% dos cargos de gerência intermediária e 19% dos altos executivos ou membros de conselhos.
Para a Irena, esse desequilíbrio ilustra a persistência de um “teto de vidro”⁹, que limita a influência das mulheres sobre os aspectos estratégicos e técnicos da transição energética.
Nova era dos empregos em energia
No geral, mesmo em meio a investimentos recordes em transição energética, a Irena observa que a taxa de crescimento do emprego desacelerou significativamente – principalmente porque a China registrou um número menor de empregos do que em 2023.
Essa desaceleração ocorre em meio ao aumento da produtividade do trabalho e automação de economias de escala, que reduziram a intensidade do emprego.
A Irena também aponta que a rápida expansão da inteligência artificial tem potencial de impactar esses números nos próximos anos, “embora ainda não se saiba em que medida isso se traduzirá em perdas ou ganhos de empregos, ou em uma redefinição dos perfis ocupacionais e das exigências de qualificação”, diz o relatório.
Outro ponto é a qualificação dos profissionais. O estudo sugere que muitos currículos permanecem “enraizados no passado” e devem se adaptar à nova realidade do setor energético.
Biocombustíveis são os que mais empregam no Brasil
Em 2024, o Brasil tinha cerca de 1,39 milhão de pessoas empregadas em energias renováveis.
A maior parte, nas indústrias de biocombustíveis, hidrelétricas e energia solar fotovoltaica.
Só na produção de biodiesel, são estimados 150-190 mil postos de trabalho, boa parte concentrada nas regiões Sul e Centro-Oeste, de acordo com dados da indústria.
Já na cadeia do etanol, o Observatório da Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICAdata), calcula que o emprego total no setor sucroenergético em 2024 foi de 751.377 postos, sendo cerca de metade (378 mil) considerada como vinculada aos biocombustíveis.
Com 15,2 GW de nova capacidade instalada em 2024, a indústria solar fotovoltaica também respondeu por uma parcela relevante da empregabilidade naquele ano.
Foram cerca de 323.800 empregos diretos e indiretos em 2024, um aumento em relação ao número revisado de 265.700 em 2023, estima a Irena. Deste total, a agência calcula que 120.330 foram empregos diretos no setor.
Cobrimos por aqui
Curtas
Mapa do caminho. Os ministérios de Minas e Energia, Meio Ambiente, Fazenda e Casa Civil estão na fase final da elaboração da proposta de diretrizes para o mapa do caminho da transição para longe dos combustíveis fósseis e devem apresentar o resultado “nas próximas semanas”.
Novo licenciamento. O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) informou, nesta sexta-feira (6/2), em Brasília, que equipes do governo federal estudam a possibilidade de criar nova regulamentação para o licenciamento ambiental. A meta é reduzir os impactos negativos das mudanças promovidas pelo marco legal que passou a valer esta semana.
R$ 500 milhões para transição. O governo federal lançou nesta sexta (6/2) a segunda rodada de seleção pública dos Programas Estruturantes do MCTI, com R$ 3,3 bilhões para financiar empresas brasileiras alinhadas com a NIB. Desse total, R$ 500 milhões são destinados a projetos de transição energética.
Distribuição de gás. A Alerj instituiu, nesta sexta-feira (6/2), a criação de uma CPI para investigar o serviço de distribuição de gás canalizado no estado e o processo de renovação das concessões da CEG e CEG Rio, operadas pela Naturgy. A CPI é de autoria do deputado estadual Thiago Rangel (Avante).
Artigos da semana
Comunicação, um eixo estratégico para legitimar nova tarifa de energia Mudança proposta pela Aneel para a Tarifa Branca exige comunicação eficaz de modo a evitar resistência dos consumidores e risco de judicialização, escreve Rutelly Marques
A IA está acelerando a demanda por energia e a autonomia é fundamental para viabilizá-la À medida que a IA continua impulsionando avanços na indústria, novas questões surgirão sobre como os caminhos energéticos globais podem se manter capazes de atender às necessidades energéticas do futuro, escreve Anant Maheshwari

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