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Família de Paulo Curió funcionava como “blindagem patrimonial” do esquema em Turilândia, diz PGJ – Atual7

Família de Paulo Curió funcionava como “blindagem patrimonial” do esquema em Turilândia, diz PGJ – Atual7

Família de Paulo Curió funcionava como “blindagem patrimonial” do esquema em Turilândia, diz PGJ – Atual7

Título: Família de Paulo Curió agia como “escudo patrimonial” do esquema em Turilândia, conforme PGJ – Atual7

A família do prefeito afastado de Turilândia, Paulo Curió (União Brasil), atuava como um “círculo de confiança destinado à ocultação, dissimulação e aproveitamento dos valores ilegais” do esquema que, de acordo com o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas), desviou R$ 56,3 milhões dos cofres do município entre 2021 e 2025. Essa é a conclusão da denúncia apresentada pelo procurador-geral de Justiça Danilo de Castro na última segunda-feira (19) contra o prefeito e outras nove pessoas, incluindo familiares e aliados políticos.

No extenso documento de 80 páginas, a PGJ (Procuradoria-Geral de Justiça) destaca que a participação dos familiares foi “elemento central para a proteção patrimonial da organização criminosa”. A denúncia descreve que os cunhados de Curió operavam como “contas de ocultação” e “contas intermediárias” para dificultar o rastreamento do dinheiro, a irmã atuava como gerente de uma empresa de fachada, o pai facilitava contratações com empresários junto à então pregoeira e o tio manipulava a execução de obras durante as inspeções. Os dez acusados foram alvos das duas fases da Operação Tântalo, realizadas em fevereiro e dezembro de 2025. Na segunda fase, quatro deles tiveram prisão preventiva decretada e permanecem detidos.

As acusações variam de acordo com o papel desempenhado por cada um dos denunciados. Apontado como líder do esquema, Paulo Curió responde por organização criminosa com agravante do uso do cargo, peculato, fraude em licitações, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A primeira-dama Eva Curió enfrenta as mesmas acusações, sem o agravante. O pai Domingos Curió, o irmão Marcel Curió, a irmã Taily Amorim e o tio Paulo Kikita respondem por organização criminosa, peculato e lavagem. Os cunhados Ritalice Dantas e Jander Amorim são acusados de organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Também foram denunciadas a vice-prefeita Tânya Mendes (PRD) e a ex-vice Janaína Lima, que enfrentam as mesmas acusações de Paulo Curió, sem o agravante.

Conforme apontado pelo Gaeco, Paulo Curió é considerado o líder da organização criminosa, enquanto a primeira-dama Eva Curió atuava como operadora financeira do esquema.

A PGJ optou por dividir o caso em núcleos e apresentar denúncias separadas. O documento protocolado na segunda fase aborda apenas o núcleo político-familiar. Empresários, servidores, vereadores e outros alvos das duas fases da Operação Tântalo serão denunciados separadamente.

De acordo com os detalhes do documento, entre 82% e 90% dos valores pagos pela prefeitura às empresas contratadas retornavam para Paulo Curió. Os empresários ficavam com os 10% a 18% restantes emitindo notas fiscais sem efetuar os serviços. A propina era internamente chamada de “imposto”.

Em uma das conversas interceptadas, Paulo Curió cobra pouco mais de R$ 100 mil referentes a uma contratação de R$ 122 mil, após descontados os 18% destinados à empresa. Ele pressiona, dizendo: “Tô liso, meu irmão”.

Wandson Barros, identificado pelo Gaeco como operador financeiro da organização criminosa, não foi incluído nesta denúncia e será acusado no núcleo empresarial. A investigação revela que ele recebia 3% de todos os contratos fraudulentos e, embora não ocupasse cargo na prefeitura desde 2021, atuava como “braço direito” do prefeito, manipulando documentos oficiais e coordenando os desvios. Segundo o Gaeco, Wandson permitiu que Curió adquirisse um apartamento de R$ 3,1 milhões no Edifício Al Mare, em São Luís, usando seu nome.

Uma das principais empresas envolvidas no esquema era o Posto Turi, efetivamente controlado pela ex-vice-prefeita Janaína Lima e seu ex-marido, Marlon Serrão, conforme a denúncia. A empresa fechou 58 contratos com a prefeitura entre 2021 e 2024, totalizando R$ 17,2 milhões em pagamentos por fornecimento de combustível. A PGJ afirma que nenhum litro foi entregue de fato. O acordo estipulava que o casal ficaria com 10% de cada contrato, sendo os 90% restantes direcionados ao prefeito.

Uma análise do Laboratório de Lavagem de Dinheiro do Ministério Público do Maranhão comparou o volume de combustível supostamente adquirido com a frota municipal e concluiu que os 10 veículos do Fundo Municipal de Educação teriam que percorrer 791 quilômetros por dia para justificar o diesel “comprado” em 2022. O combustível utilizado para abastecer a frota era adquirido no Auto Posto Leão I.

O esquema também financiou os estudos de medicina de Janaína, na Faculdade Anhembi Morumbi, e de Eva Curió, na Universidade Ceuma. Os pagamentos eram realizados pela Luminer, uma empresa de fachada registrada em nome de um pedreiro. Conforme o MP, a empresa possuía endereço fictício e era utilizada para receber verbas da prefeitura de Turilândia e redistribuí-las. A Luminer também custeava aluguel, mensalidades escolares dos filhos do prefeito, supermercado e barbearia.

A denúncia menciona ainda cinco imóveis de alto padrão adquiridos por Paulo Curió sem registro em seu nome. O mais valioso é uma casa no Calhau avaliada em R$ 3,7 milhões, registrada em nome de um agiota. A lista inclui uma residência em Turilândia avaliada em R$ 1,6 milhão, uma casa em Barreirinhas no condomínio Doha Eco Residence e um terreno em Santa Helena de R$ 350 mil.

O Gaeco apreendeu quase R$ 2 milhões em endereços relacionados aos investigados.

A PGJ solicita a condenação dos dez acusados com a perda de bens adquiridos com recursos ilícitos, a perda dos cargos públicos e o ressarcimento de R$ 56,3 milhões aos cofres públicos. Também requer a manutenção do bloqueio de bens, a proibição de contato entre os denunciados e o afastamento do prefeito.

Nesta sexta-feira (24), a Seção de Direito Público do Tribunal de Justiça decidiu, por unanimidade dos votos, aprovar intervenção estadual em Turilândia pelo prazo de 180 dias, passível de prorrogação por igual período. O interventor será nomeado pelo governador Carlos Brandão (sem partido) em até 15 dias.

Turilândia é um dos municípios mais carentes do país. Conforme dados do IBGE, o município possui um IDH de 0,536, considerado baixo, e depende de transferências obrigatórias da União e do Estado para 97,24% de sua receita.

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