A transferência de Jair Bolsonaro para o 19º Batalhão da Polícia Militar, conhecido como Papudinha, nesta quinta-feira (15), provocou a reação de aliados e familiares do ex-presidente.
Em um longo post nas redes sociais, o filho de Bolsonaro e ex-vereador pelo Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro, questionou cada um dos crimes pelos quais seu pai foi condenado a mais de 27 anos de prisão no julgamento da trama golpista. “Foi uma manifestação sem a participação ou liderança de Jair Bolsonaro, que saiu do controle em razão da exaltação de alguns poucos manifestantes”, escreveu ao falar sobre o episódio de 8 de janeiro.
Carlos listou ainda todos os problemas de saúde do ex-presidente e definiu a Papudinha como “ambiente prisional severo”.
“A transferência para um ambiente prisional severo, somada às aberrações jurídicas apontadas e ao estado clínico delicado, passa a representar mais do que o cumprimento de uma decisão judicial: transforma-se em um marco simbólico de confronto institucional, cujo impacto ultrapassa a figura de Jair Bolsonaro e alcança o próprio conceito de justiça, proporcionalidade e Estado de Direito no Brasil”, finaliza o post.
Transferência de @jairbolsonaro para a chamada “Papudinha”
Alexandre de Moraes, suas qualidades como ser humano não merecem ser enumeradas diante da maldade praticada contra Jair Bolsonaro e contra os presos do 8 de janeiro.
Aliados do PT já cometeram atos muito mais graves sem… pic.twitter.com/Jqi30cswaJ
— Carlos Bolsonaro (@CarlosBolsonaro) January 15, 2026
A cela em que Bolsonaro ficará tem 54 metros quadrados com um quarto, um banheiro, lavanderia, cozinha, sala e uma área externa de 10 metros quadrados. Ele terá acesso à um aparelho de televisão, além de assistência médica 24 horas e assistência religiosa, atendendo pedido da sua defesa. Além da assistência médica, Moraes autorizou o deslocamento imediato para hospitais em caso de urgência, além de fisioterapia e entrega de alimentação especial diária.
As permissões de Moraes atendem exatamente os principais argumentos que aliados e familiares têm usado para pedir a prisão domiciliar do ex-presidente: suas implicações de idade e saúde. A decisão de transferir Bolsonaro para a Papudinha se deu algumas horas depois que defesa entrou mais uma vez com pedido para que ele cumprisse a prisão em casa.
Todos pela prisão domiciliar
O outro filho do ex-presidente, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), questionou a transferência e falou da necessidade de cuidados médicos do pai e reivindicou a prisão domiciliar.
“Se fosse com o ex-presidente Michel Temer, Alexandre de Moraes estaria agindo da mesma forma? Os remédios que Bolsonaro toma para seu atual problema crônico de soluços têm efeitos colaterais como desequilíbrio e sonolência. Concretamente, já teve uma queda em que bateu com a cabeça. Graças a Deus não foi nada grave, mas poderia ter sido. Poderia, sim, ter sido encontrado morto, sozinho, na cela da Polícia Federal”, escreveu o senador e pré-candidato à Presidência da República. E finalizou a mensagem pedindo que o pai vá para a casa e que a “lei seja cumprida”.
O líder do PL na Câmara, o deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) considerou a transferência um “abuso de poder” e também pediu a prisão do ex-presidente fosse cumprida em casa.
“Se realmente houvesse qualquer preocupação com a vida e a saúde do presidente Jair Bolsonaro, a medida correta seria a transferência para seu domicílio nunca para uma penitenciária. O que se impôs não foi cuidado. Foi castigo. Foi exposição deliberada. Foi abuso de poder. O Brasil está sob um regime de arbítrio judicial. O que vemos não é justiça. É autoritarismo de toga, abuso de poder institucionalizado, a caneta transformada em ferramenta de perseguição”, postou o deputado.
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) reivindicou também a prisão domiciliar de Bolsonaro, apesar de considerar, a princípio, um “espaço melhor” que a carceragem da Polícia Federal, onde estava preso até então.
“Moraes acaba de transferir Bolsonaro para a Papudinha. Aparentemente, parece ser um espaço melhor, sem barulho e com atendimento médico 24h. Vou apurar com a família se essas condições de fato são melhores. Mas a pergunta ainda continua: por que não enviá-lo pra casa? Enfim, tudo isso por um crime que ele nunca cometeu e deveria estar livre”, escreveu Ferreira no X.
