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Governo Lula formaliza queixa na OMC contra tarifaço dos EUA

Governo Lula formaliza queixa na OMC contra tarifaço dos EUA

Governo Lula formaliza queixa na OMC contra tarifaço dos EUA

Brasil contesta tarifas de 25% e 12,5% aplicadas às exportações com base na Lei do Comércio norte-americana

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresentou um pedido de consultas contra os Estados Unidos na OMC (Organização Mundial do Comércio). Segundo o Ministério das Relações Exteriores, a solicitação foi protocolada nesta 2ª feira (27.jul.2026) e questiona as tarifas de 25% e 12,5% impostas pelo governo norte-americano com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

O governo brasileiro considera as tarifas “injustificadas e incompatíveis” com as obrigações dos EUA no Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio de 1994 e com o Entendimento sobre Solução de Controvérsias da OMC.

O pedido de consultas é o 1º passo formal no rito de solução de disputas comerciais da OMC. A abertura de um painel arbitral depende do resultado dessa fase de negociação entre os 2 países.

A 1ª tarifa, que foi de 25%, resultou de investigação específica contra o Brasil conduzida pelo USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA). A medida entrou em vigor em 22 de julho, depois da conclusão do processo.

OS ALVOS DO USTR

O USTR listou como alvos da apuração o Pix, o comércio digital, as tarifas preferenciais brasileiras, o combate à corrupção, a proteção à propriedade intelectual, o acesso ao mercado de etanol e o desmatamento ilegal. Uma das conclusões do relatório aponta que o Brasil adota políticas públicas que favorecem o Pix e colocam empresas norte-americanas do setor de pagamentos eletrônicos em “desvantagem injusta”.

A tarifa de 12,5% integrou uma investigação mais ampla que abrangeu 85 países. O USTR concluiu que o Brasil não implementou nem aplicou uma proibição à importação de bens produzidos com trabalho escravo. Argentina, China, Canadá e União Europeia estão entre os demais países e blocos atingidos por essa mesma medida.

A alegação dos EUA é que os países afetados pelas sobretaxas de 12,5% se valem de “trabalho forçado” na produção de itens que depois são vendidos no mercado norte-americano com preços menores. Na visão do governo norte-americano, tal prática causa uma assimetria comercial a favor dos produtores brasileiros, que têm custos mais baixos por causa do “trabalho forçado”. O Brasil contesta esse argumento e diz que tem combatido de forma eficaz esse tipo de condição degradante de trabalho.

Na legislação brasileira, forçar alguém a trabalhar pode ser considerado, em alguns casos, “trabalho análogo à escravidão”. O documento do USTR não fala em trabalho escravo, mas à luz da legislação brasileira é essa a imputação que está sendo feita aos produtores do Brasil e de outras dezenas de países que também foram punidos com essa tarifa (que varia de 10% a 12,5%, a depender de quem está sendo afetado).

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