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Governo Trump ameaça países das Américas com nova doutrina militar e comercial

Governo Trump ameaça países das Américas com nova doutrina militar e comercial

Governo Trump ameaça países das Américas com nova doutrina militar e comercial

O governo dos Estados Unidos está implementando uma nova orientação de defesa que amplia consideravelmente sua influência militar e comercial em todo o Hemisfério Ocidental, desde o Ártico até a América do Sul. A Estratégia Nacional de Defesa estabelece que os EUA devem garantir acesso incondicional a áreas estratégicas e preservar a liberdade de empregar força militar sempre que seus interesses estiverem ameaçados. Essas informações foram publicadas pelo G1.

O documento divulgado pelo Departamento de Defesa na última sexta-feira (23) detalha a política de defesa sob a administração do presidente dos EUA, Donald Trump, que vincula a cooperação com países vizinhos ao alinhamento com as prioridades norte-americanas, incluindo esforços contra o narcotráfico e a segurança das fronteiras.

Ampliação do poder dos EUA na região

A nova estratégia indica que os Estados Unidos buscarão cooperar “de boa-fé” com os países do Hemisfério Ocidental, mas ressalta que ações militares podem ser adotadas caso essa cooperação não atenda às expectativas de Washington. O texto cita a operação realizada em Caracas, que resultou no sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro, como exemplo do tipo de ação que pode ser repetida no futuro.

O documento reforça a visão de Trump de que a região é de interesse prioritário para os EUA. A estratégia destaca a importância de garantir “o acesso militar e comercial dos EUA a áreas estratégicas fundamentais”, como o Canal do Panamá, o Golfo das Américas (anteriormente conhecido como Golfo do México) e a Groenlândia.

Ações militares e pressão sobre aliados regionais

“Vamos garantir ativamente e destemidamente os interesses dos Estados Unidos em todo o Hemisfério Ocidental. Vamos cooperar de boa-fé com nossos vizinhos, do Canadá aos parceiros na América Central e do Sul, mas asseguraremos que respeitem e contribuam para a defesa de nossos interesses comuns. E, quando isso não acontecer, estaremos prontos para adotar ações focadas e decisivas que promovam os interesses dos EUA. Este é o Corolário Trump à Doutrina Monroe, e as Forças Armadas dos EUA estão preparadas para aplicá-lo com rapidez, poder e precisão, como demonstrado na Operação Resolução Absoluta”, afirma a estratégia, assinada pelo secretário de Defesa, Pete Hegseth.

A política de defesa do segundo mandato de Trump é apresentada como uma busca por “paz através da força”. O Departamento de Defesa destaca que essa abordagem começa com o reforço das fronteiras dos EUA, passando pelo sistema de defesa aérea conhecido como Domo de Ouro e alcançando a contenção de rivais globais.

Contenção da China e foco no Indo-Pacífico

A China é identificada como o principal rival estratégico dos EUA no cenário internacional. A estratégia visa “deter” o país asiático por meio da força e da contenção, sem buscar um confronto direto ou uma guerra aberta. O documento descarta a necessidade de mudança de regime em Pequim e propõe um equilíbrio de poder entre áreas de influência.

“A China e suas forças armadas têm se fortalecido cada vez mais na região do Indo-Pacífico, a maior e mais dinâmica área de mercado do mundo, com implicações significativas para a segurança, a liberdade e a prosperidade dos americanos. (…) Vamos manter um equilíbrio favorável de poder militar no Indo-Pacífico”, declara o texto.

De acordo com a estratégia, o presidente dos EUA busca uma relação com a China baseada em “paz estável, comércio justo e relações respeitosas”, ao mesmo tempo em que reforça a presença militar dos EUA no Pacífico Ocidental, entre o Japão, Taiwan e as Filipinas.

Canal do Panamá, Ártico e áreas estratégicas

O documento também destaca como prioridade garantir o acesso militar e comercial dos EUA ao Ártico, ao Golfo das Américas, ao Canal do Panamá e a outras áreas da América do Sul. O governo menciona iniciativas em curso para ampliar sua presença nessas regiões e diminuir a influência de rivais estratégicos.

No que diz respeito à migração, a estratégia reafirma o objetivo de reforçar as fronteiras e aumentar as deportações, contando com a colaboração do Canadá e do México. Em relação ao narcotráfico, o Departamento de Defesa afirma que os EUA se reservam o direito de realizar ações militares unilaterais contra organizações classificadas como narcoterroristas em qualquer ponto das Américas.

A Estratégia Nacional de Defesa também prevê a modernização das forças nucleares dos EUA, o impulso à indústria militar e o aumento da responsabilidade dos aliados no que o governo chama de “fardo da segurança compartilhada”, consolidando uma política externa centrada no poder militar dos EUA e em sua projeção global.

Fonte: Brasil 247 horas