×

Indústria contesta suspensão de mercado livre de gás no Rio

Indústria contesta suspensão de mercado livre de gás no Rio

Indústria contesta suspensão de mercado livre de gás no Rio

Entidades representantes da indústria de óleo e gás e consumidores de energia se manifestaram nesta quarta (28/7) contra a decisão da Justiça do Rio de Janeiro que suspendeu novas migrações de clientes ao mercado livre de gás no estado. O documento é assinado pela Abpip, Abrace Energia e IBP.

No texto, as entidades afirmam que a Naturgy resiste à abertura do mercado sem apresentar qualquer risco ou prejuízo comprovado e, ainda assim, consegue na Justiça mais tempo de espera para o consumidor.

O manifesto cita que a própria Agenersa já homologou a minuta padrão do Contrato de Uso do Sistema de Distribuição (CUSD), que garante à concessionária remuneração pelo uso da rede independentemente de quem forneça o gás ao consumidor final.

Segundo o documento, a Naturgy continua recebendo pela distribuição. “Não há, portanto, perda de receita líquida com a migração — apenas a perda de uma posição de monopólio comercial que a empresa insiste em preservar”, diz o manifesto.

O texto também destaca que a principal fornecedora de gás natural da Naturgy flexibilizou cláusulas contratuais, o que mitiga o risco de prejuízo à distribuidora ou ao mercado cativo com a migração de usuários ao mercado livre.

Trata-se da Petrobras. A decisão judicial foi fundamentada nos impactos que a ampliação do limite de migração teria no equilíbrio do contrato entre a distribuidora de gás natural e a petroleira estatal. Contudo, esta questão foi superada em maio, com a revisão do contrato.

A própria Petrobras é associada do IBP, que assina o manifesto. Para as entidades, o mercado livre tende a aumentar, e não reduzir, o consumo de gás natural no Rio.

Consumidores que hoje reprimem demanda por preços pouco competitivos, ou migram para fontes de energia menos eficientes, voltariam a expandir o uso de gás assim que pudessem negociar livremente — o que geraria mais volume na rede da própria Naturgy, mais receita de uso do sistema e mais investimento em infraestrutura.

“A abertura do mercado beneficiaria até mesmo a concessionária que hoje a combate”, diz o manifesto.

As entidades afirmam que, enquanto a resistência da Naturgy persiste, quem paga a conta é o Rio de Janeiro: indústria menos competitiva, consumidor cativo sobrecarregado e um estado que vê outras regiões do país avançarem para um mercado de gás mais moderno e concorrencial.

Naturgy alega que revisão depende de lei

Nos autos, a Naturgy sustenta outros dois argumentos para resistir à abertura do mercado. Um deles é que a redução do volume mínimo para migração, de 100 mil para 10 mil m³/dia, deveria ter sido feita por lei estadual — e não por ato administrativo da Agenersa — e formalizada em termo aditivo ao contrato de concessão.

O outro é o risco de desequilíbrio econômico-financeiro e de redução de receitas, o que comprometeria investimentos na expansão da rede e transferiria custos aos consumidores cativos.

A liminar foi concedida em 24 de julho pela juíza Geórgia Vasconcellos, da 2ª Vara da Fazenda Pública da Comarca da Capital.

Na prática, a liminar susta a regulamentação da Agenersa que havia reduzido o piso de migração de 100 mil para 10 mil m³/dia e impede novas migrações no segmento industrial, já que os clientes com consumo acima de 100 mil m³/dia já estão no mercado livre.

A decisão também susta as multas aplicadas pela Agenersa à CEG e à CEG Rio por criarem barreiras à migração de unidades da CSN e da Braskem, e impede a agência de aplicar novas penalidades às distribuidoras.

Créditos