Há uma pequena cidade no interior do Brasil que vem chamando a atenção do mundo por sua beleza singular e atmosfera europeia. Localizada na Serra Gaúcha, no Rio Grande do Sul, Antônio Prado foi recentemente reconhecida como uma das vilas mais bonitas do planeta por um levantamento da ONU Turismo. Inspirada nas tradicionais vilas italianas, a cidade entrou para o seleto grupo das Melhores Vilas Turísticas do Mundo, sendo o único município brasileiro entre 270 candidaturas de 65 países. Ao todo, apenas 52 vilas foram premiadas na temporada de 2025.
O reconhecimento internacional projeta Antônio Prado como um exemplo de preservação cultural, identidade histórica e turismo sustentável. A cidade representa um raro caso em que memória, arquitetura e cotidiano convivem de forma orgânica.
Raízes italianas e indígenas
Antes da chegada dos colonos europeus, a região onde hoje está Antônio Prado era tradicionalmente habitada por povos indígenas da etnia Kaingang (ou Caingangue), que ocupavam amplas áreas do atual norte do Rio Grande do Sul. Esses grupos mantinham uma relação profunda com o território, baseada na caça, coleta e em formas próprias de organização social e espiritual.
A presença indígena começou a ser desarticulada a partir da segunda metade do século XIX, quando o Império Brasileiro intensificou sua política de colonização do Sul do país. Esse processo não foi neutro: fazia parte de um projeto estatal explícito de “embranquecimento” da população brasileira, por meio da atração de imigrantes europeus — especialmente italianos e alemães — para ocupar terras consideradas “vazias”, ainda que fossem historicamente indígenas.
O município tornou-se o último núcleo oficial de colonização italiana no Rio Grande do Sul. Essa condição fez com que a cidade preservasse, de maneira quase intacta, o modo de vida dos primeiros imigrantes. Até hoje, traços do dialeto vêneto ainda podem ser ouvidos em conversas cotidianas, e festas típicas celebram tradições herdadas diretamente da Europa.
O grande diferencial de Antônio Prado está na preservação de seu conjunto arquitetônico. O centro histórico abriga o maior acervo de casas urbanas de madeira de origem italiana no Brasil. São dezenas de construções erguidas entre o fim do século XIX e o início do XX, muitas delas tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Caminhar pelas ruas da cidade é como percorrer um vilarejo europeu transplantado para o interior gaúcho.
Pontos turísticos
O principal cartão-postal de Antônio Prado é seu Centro Histórico, onde se concentram as casas de madeira coloridas, com varandas, entalhes artesanais e jardins bem cuidados. Ali estão também cafés, restaurantes e ateliês que funcionam dentro das construções originais, mantendo viva a relação entre passado e presente.
Entre os destaques está a Igreja Matriz Sagrado Coração de Jesus, construída em pedra basáltica, que domina a paisagem urbana com sua imponência. O templo é símbolo da fé dos imigrantes e ponto de encontro da comunidade.
Além do patrimônio urbano, Antônio Prado também se destaca pelas belezas naturais. Trilhas, mirantes, cascatas e áreas rurais preservadas fazem parte do entorno da cidade, que integra a região da Serra Gaúcha. O turismo rural é forte, com vinícolas familiares, cantinas coloniais e agroindústrias que produzem queijos, vinhos, massas e embutidos artesanais.
Eventos culturais, como festas típicas italianas, encontros gastronômicos e celebrações comunitárias, reforçam a identidade local e transformam a cidade em um destino vivo, não apenas contemplativo.
