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Irã adverte que guerra se ampliará se outros países intervirem – CartaCapital

Irã adverte que guerra se ampliará se outros países intervirem – CartaCapital

Irã adverte que guerra se ampliará se outros países intervirem – CartaCapital

O Irã advertiu neste domingo, dia 15, que a guerra no Oriente Médio se intensificará se outros países decidirem intervir, em resposta a um apelo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para cooperação internacional a fim de garantir a segurança no estratégico Estreito de Ormuz.

Os preços do petróleo dispararam devido ao bloqueio imposto pelo Irã no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto das exportações globais de hidrocarbonetos, levantando preocupações sobre um impacto econômico mais amplo.

Em entrevista à NBC News, o presidente afirmou que Teerã expressou interesse em negociar, mas Washington continuará com sua ofensiva. “O Irã está buscando um acordo, mas eu não estou pronto para isso, pois as condições ainda não são adequadas”, disse Trump à emissora americana.

No entanto, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, declarou que seu país não está disposto a dialogar com Washington. “Não vemos motivo para negociar com os americanos, pois estávamos em conversações quando decidiram nos atacar”, afirmou Araghchi à CBS, em entrevista transmitida no domingo.

Em declarações ao veículo de mídia de língua árabe Al Araby Al Jadid, o chanceler destacou que a guerra não cessará até que ele tenha garantias de sua conclusão definitiva e do pagamento de “reparações”.

Ele também instou outras nações a se absterem de ações que possam provocar uma escalada, alegando possuir amplas evidências de que bases dos EUA no Oriente Médio foram usadas para atacar seu país, mencionando especificamente os Emirados Árabes Unidos. O Pentágono afirma que mais de 15.000 alvos foram atingidos no Irã.

“Mal-estar passageiro”

Diante das preocupações geradas pelo aumento dos preços do petróleo, que ultrapassaram os 100 dólares na sexta-feira, o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, considerou o bloqueio efetivo do Estreito de Ormuz como um “mal-estar temporário”.

“Estamos enfrentando um período de turbulência de curto prazo, mas é preferível lidar com isso agora do que enfrentar um Irã armado com armas nucleares”, afirmou Wright em entrevista ao programa This Week, da ABC News.

Enquanto isso, a Agência Internacional de Energia anunciou que as reservas estratégicas de petróleo na Ásia e na Oceania serão liberadas imediatamente para conter a alta dos preços da energia, sendo que as dos países-membros na América e na Europa estarão disponíveis a partir do final de março.

Após mais de duas semanas de conflito, nenhum dos lados diminuiu o tom de sua retórica, apesar das baixas, principalmente no Irã. No sábado, dia 14, Trump propôs uma operação naval internacional para escoltar petroleiros pelo Estreito de Ormuz; no entanto, muitos países parecem hesitar em relação a essa iniciativa.

Comércio antes do Ano Novo persa

As forças armadas israelenses anunciaram neste domingo uma nova série de ataques contra alvos no oeste do Irã, enquanto as forças armadas iranianas reportaram ataques de drones contra uma unidade policial importante e um centro de comunicações via satélite em Israel.

O Irã também continuou seus ataques contra nações do Golfo, onde os EUA mantêm bases militares e interesses econômicos. Arábia Saudita e Bahrein afirmaram ter interceptado novos projéteis, e no Iraque, cinco pessoas ficaram feridas em um ataque ao aeroporto de Bagdá.

No entanto, Teerã experimentou um dia de trabalho relativamente normal neste domingo, pela primeira vez desde o início da guerra em 28 de fevereiro, quando os EUA e Israel atacaram e mataram o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, pai do atual aiatolá Mojtaba Khamenei.

O tráfego estava mais intenso do que na semana anterior, e alguns cafés e restaurantes estavam abertos. No Bazar de Tajrish, ao norte da capital, mais de um terço das lojas estava aberto, faltando apenas cinco dias para o Nowruz, o Ano Novo persa.

Alguns cidadãos aguardavam em caixas eletrônicos para sacar dinheiro, enquanto outros esperavam em pontos de ônibus que, desde o início da guerra, estavam praticamente vazios.

A situação era semelhante em outras regiões do país. Em Tonekabon, cidade às margens do Mar Cáspio, um morador informou à AFP que os estabelecimentos comerciais estavam abertos e movimentados, apesar dos aumentos significativos nos preços.

“Apenas a praça principal permanece fechada à noite, sendo o local de manifestações do governo”, disse Ali, de 49 anos, observando que apenas a rede nacional de internet do Irã estava operacional, sem conexões com o exterior.

Segundo dados do Ministério da Saúde iraniano, mais de 1.200 pessoas morreram devido aos ataques dos EUA e de Israel, embora esses números não tenham sido verificados de forma independente. A agência da ONU para refugiados estima que até 3,2 milhões de pessoas foram deslocadas no Irã.

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