Irã alerta para “consequências perigosas” após classificação de terrorismo
O Irã emitiu um alerta sobre as “consequências perigosas” após a União Europeia oficialmente classificar a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) como organização terrorista, em meio ao aumento das tensões entre Teerã e as potências ocidentais.
Os ministros das Relações Exteriores da UE aprovaram essa designação em uma reunião em Bruxelas, caracterizando-a como uma resposta à violenta repressão dos protestos antigovernamentais no Irã.
A chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, afirmou: “A repressão não pode ficar sem resposta. Qualquer regime que mata milhares de seus próprios cidadãos está caminhando para a sua própria destruição.”
Por sua vez, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, concordou: “‘Terrorista’ é o termo apropriado para um regime que esmaga brutalmente os protestos do seu próprio povo.”
Em comunicado divulgado pela agência de notícias estatal iraniana IRNA, o Estado-Maior das Forças Armadas do Irã criticou a decisão da UE como “ilógica, irresponsável e maliciosa”, acusando os líderes europeus de seguirem as políticas dos EUA e de Israel.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, acusou os governos europeus de aumentarem as tensões e o risco de uma guerra generalizada no Oriente Médio.
Ele destacou que vários países trabalham para evitar um conflito em grande escala na região, mas observou que os Estados europeus não estão entre eles, afirmando que a designação da IRGC foi um “grave erro estratégico” influenciado pelos EUA.
O que é a Guarda Revolucionária?
Formada em 1979 após a Revolução Islâmica do Irã, a IRGC atua de forma independente das demais Forças Armadas Iranianas, com exército, marinha, força aérea, serviços de inteligência e forças especiais próprias.
Sua missão é proteger a República Islâmica e é subordinada diretamente ao líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei.
Estima-se que a IRGC conte com entre 150 e 190 mil membros, incluindo a Força Quds, uma unidade de elite designada como organização terrorista pelos EUA em 2007.
Além disso, a milícia paramilitar voluntária Basij, um braço da Guarda Revolucionária Islâmica com cerca de 450 mil membros, desempenha papel crucial na repressão aos protestos no Irã.
A Guarda Revolucionária já havia sido classificada como “organização terrorista estrangeira” pelos EUA em 2019, durante o primeiro mandato do presidente Donald Trump.
Diante das ameaças dos EUA de atacar o Irã novamente desde junho, Teerã anunciou uma ampliação significativa de suas capacidades militares.
O Irã comunicou a adição de mil “drones estratégicos” ao seu arsenal militar, conforme relatado pela agência de notícias IRNA, embora os tipos de drones incluídos não tenham sido especificados.
O país também informou que as forças navais da IRGC realizarão exercícios com munição real no Estreito de Ormuz na próxima semana, uma rota marítima crucial para o petróleo e gás natural mundial.
Analistas apontam que a classificação da IRGC como organização terrorista pela União Europeia tem um caráter principalmente simbólico, com pouca influência prática.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, apelou ao uso da diplomacia para reduzir as tensões e evitar uma crise com impactos devastadores na região.


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