Se 2026 vai facilitar os feriados prolongados, os Lençóis Maranhenses são o roteiro adequado para quem quer curtir o feriadão em um lugar paradisíaco. Você ganha dunas brancas, lagoas de água doce, banho de mar e um descanso que parece caro, mas cabe no bolso.
Com o calendário de 2026 na mão, o jogo muda. Você escolhe uma janela de 4 a 6 dias e, então, troca o “vou qualquer hora” por data, roteiro e pousada fechados.
O cenário mais disputado aparece quando as lagoas estão cheias. Em geral, as chuvas formam as lagoas no começo do ano e o auge costuma ficar entre junho e agosto.
Os Lençóis ficam no litoral do Maranhão e são uma unidade de conservação federal. Por isso, o lugar é lindo e, ao mesmo tempo, delicado, com dunas, lagoas, restinga e manguezais no mesmo pacote.
Barreirinhas, Santo Amaro e Paulino Neves: três entradas, três jeitos de viajar
Barreirinhas é a base mais estruturada e, por isso, costuma ser a escolha mais prática. Tem hospedagem para todos os bolsos, além de mais restaurantes e mais agências organizando passeios.
E aqui entra o clássico do clássico: o “passeio de Toyota”, o 4×4 tipo jardineira que leva até as dunas. No Circuito Lagoa Azul, por exemplo, o trecho de 4×4 tem cerca de 12 km e, depois, ainda rola uma caminhada de mais ou menos 1 km até as lagoas.
Santo Amaro agrada quem quer menos correria e mais natureza logo de cara. Além disso, as lagoas mais famosas ficam relativamente próximas, e muita gente faz o passeio em apenas um turno, manhã ou tarde.
E, como a estrada até a cidade foi asfaltada nos últimos anos, o acesso até Santo Amaro ficou mais simples. Depois disso, os circuitos seguem com guia e 4×4, do jeito que o parque exige.
Paulino Neves é uma forte opção para quem quer explorar os Pequenos Lençóis e, ao mesmo tempo, pensar na viagem como rota. A cidade conversa bem com a Rota das Emoções, que liga Lençóis, Delta do Parnaíba e Jericoacoara.
E tem uma vantagem prática: Paulino Neves ajuda quem quer “costurar” o Maranhão com Piauí e Ceará sem ficar voltando para o mesmo lugar. Assim, você gasta menos tempo em estrada e mais tempo em paisagem.

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O encontro do Rio Preguiças com o mar, e a viagem ganha outro ritmo
Poucos passeios explicam tão bem os Lençóis quanto descer o Rio Preguiças e, depois, ver Caburé, com rio de um lado e oceano do outro. Ali, muita gente aluga quadriciclo e vai até a foz, só para ver o encontro das águas de perto.
No caminho, a parada em Vassouras costuma render o momento “vida selvagem”: macacos-prego aparecem no mangue e viram atração do trajeto. E o próprio nome do rio também carrega história, já que a origem do “Preguiças” é associada à presença de bichos-preguiça nas matas das margens, além das águas calmas.
E, para quem gosta de viagem com esporte, Atins completa o pacote. O vilarejo é famoso pelo kitesurf e, além disso, fica a cerca de 2,5 km do início das dunas e lagoas, o que encurta o deslocamento quando você quer acordar e já cair no parque.

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Ecoturismo de verdade não combina com improviso
Os Lençóis são grandes, mas não são “terra de ninguém”. A visitação intensa cobra um preço, então a regra é simples: vá com condutor credenciado, respeite trilhas e horários, e não transforme duna em pista.
Além disso, vale o básico bem feito: não alimentar animais, não deixar lixo e evitar som alto. Assim, o parque segue vivo e você não vira personagem de perrengue.
Gastronomia: o passeio continua quando a lancha encosta
Depois de duna e lagoa, a região prende o turista pela comida. Peixe e frutos do mar dominam, com peixadas e caldeiradas aparecendo com força nos cardápios locais.
E, como Barreirinhas tem mais estrutura, dá para transformar uma noite em “roteiro gastronômico”. Você senta sem pressa, testa pratos regionais e, então, fecha o dia do jeito certo, comendo bem e dormindo melhor.
Como chegar e como ver tudo do alto
Hoje, o caminho mais estável segue sendo voar para São Luís e fazer o trecho por terra. Outra porta é Parnaíba, no Piauí, o que pode ajudar quem está fazendo a Rota das Emoções.
Existe aeroporto em Barreirinhas, mas os voos comerciais ficaram suspensos desde março de 2025, e a Azul confirmou o encerramento definitivo da rota naquele ano. Ainda assim, o terminal segue recebendo aviação geral e voos fretados, e há plano de modernização para voltar a atrair operações regulares.
E, se o orçamento permitir, dá para ver os Lençóis de um jeito difícil de esquecer: sobrevoo em avião de pequeno porte, com voo mais lento e janela grande para foto. Também existe oferta de sobrevoo de helicóptero em operações turísticas específicas.
Dica prática para 2026
Escolha a janela do feriado, mas escolha também a janela das lagoas. Se a meta é água azul e verde no meio das dunas, priorize os meses com lagoas cheias e reserve hospedagem antes, porque feriado prolongado lota.
E, para ganhar tempo, monte o roteiro a partir da sua porta de entrada. Assim, você agrupa os passeios por proximidade, reduz trechos de estrada e sobra mais tempo para o que importa: lagoa, duna e pôr do sol.
Por: Ariosto Carvalho, editor e entusiasta dos Lençóis.
