Líder supremo do Irã compara onda de protestos no país a golpe de Estado
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O líder máximo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, declarou neste domingo (1º) que as manifestações recentes em Teerã e outras grandes cidades do país lembram um golpe de Estado.
“Os manifestantes atacaram a polícia, prédios do governo, quartéis da Guarda Revolucionária, bancos, mesquitas e queimaram o Alcorão… Foi como um golpe de Estado real”, afirmou Khamenei, conforme citado pela agência Tasnim. O líder afirmou que a tentativa de golpe fracassou.
Os protestos no Irã começaram em dezembro e representam a mais séria ameaça à teocracia desde sua formação em 1979. O regime respondeu com forte repressão. Organizações de direitos humanos relatam mais de 6.000 vítimas, enquanto Teerã reconheceu que 3.000 pessoas morreram durante as manifestações.
Khamenei também alertou que possíveis ataques dos Estados Unidos contra o país resultariam em um conflito regional. “Os americanos devem estar cientes de que se optarem por iniciar uma guerra, será uma guerra regional desta vez.” Washington apoiou os protestos contra o governo e tem pressionado Teerã em relação ao controle de seu programa nuclear com a ameaça de bombardeios.
No sábado (31), o presidente dos EUA, Donald Trump, mencionou que o Irã está em negociações com os EUA para um acordo sobre seu programa nuclear. “Espero que cheguemos a um acordo aceitável”, disse ele aos repórteres durante uma visita à Flórida, acrescentando que Teerã deveria concordar com um tratado sem armas nucleares. “Não posso garantir que eles o farão, mas estão mantendo discussões sérias conosco”, explicou.
Anteriormente, o chefe do Exército iraniano, Amir Hatami, assegurou que a infraestrutura nuclear do país não será destruída. Washington, Israel e várias potências ocidentais alegam que o programa nuclear iraniano tem como objetivo desenvolver uma bomba atômica, algo que Teerã nega.
Hatami também alertou os Estados Unidos e Israel, informando que as Forças Armadas de Teerã estão em alerta máximo após um grande deslocamento de navios de guerra americanos no Golfo.
“Se o inimigo cometer um erro, isso certamente colocará em risco sua própria segurança, a segurança da região e a do regime sionista”, afirmou o chefe do Exército, conforme citado pela agência de notícias iraniana Irna, acrescentando que as Forças Armadas estão “totalmente preparadas”.
Washington enviou uma força naval de ataque liderada pelo porta-aviões USS Abraham Lincoln para o Oriente Médio, despertando preocupações sobre um possível confronto direto com o Irã. A nação islâmica tem alertado que, se for atacada, retaliará lançando mísseis contra as bases norte-americanas na região do Oriente Médio e atacando os aliados dos EUA, especialmente Israel.
Também no domingo, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, rotulou os Exércitos europeus como terroristas. A declaração, cujas consequências imediatas ainda não estão claras, é uma resposta à decisão da União Europeia, na última quinta-feira (29), de incluir a Guarda Revolucionária Islâmica na lista de organizações terroristas do bloco.
“De acordo com o artigo 7 da lei sobre contramedidas relativas à designação da Guarda Revolucionária Islâmica como organização terrorista, os Exércitos dos países europeus são considerados grupos terroristas”, afirmou Ghalibaf, vestindo um uniforme da guarda em sinal de solidariedade.


