Os líderes da China e da Coreia do Sul realizarão seu segundo encontro em dois meses nesta segunda-feira (5), em Pequim. Os temas em pauta variam da cooperação econômica e cadeias de suprimentos à ameaça de instabilidade representada pela Coreia do Norte.
O presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, chegou à China no domingo para sua primeira viagem ao país vizinho desde que assumiu o cargo em junho. Seu gabinete informou que ele realizará uma cúpula com o presidente chinês, Xi Jinping, e que os dois trocarão opiniões sobre questões de investimento transfronteiriço, especificamente em relação à economia digital e ao comércio de minerais essenciais.
A China é o maior parceiro comercial da Coreia do Sul e muitos de seus maiores conglomerados, como Samsung e Hyundai Motor, operam grandes instalações de produção no país. Seul também é aliada dos Estados Unidos e, há décadas, busca um delicado equilíbrio entre manter relações econômicas frutíferas com Pequim e uma parceria abrangente de segurança com Washington.
Lee e Xi realizaram seu primeiro encontro oficial em novembro, durante a reunião da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec) na cidade sul-coreana de Gyeongju. Nesse encontro, os dois líderes estavam sorridentes, descrevendo os laços bilaterais como mutuamente benéficos, com Xi chamando os dois países de “parceiros inseparáveis” que contribuíram para o desenvolvimento econômico um do outro.
Dado que a China já restringiu no passado as exportações de elementos industriais essenciais, como grafite e solução de ureia, Lee estará interessado em estabelecer um entendimento com Xi para evitar interrupções no fornecimento de terras raras, que são cruciais para o país.
“A Coreia do Sul é apenas um dos muitos países que buscam garantias de acesso ao fornecimento de terras raras, então os chineses provavelmente desenvolveram uma abordagem padrão. Isso inclui um processo de licenciamento que verifica se todas as terras raras chinesas serão usadas para fins civis e não militares”, disse Jeff Moon, presidente da consultoria China Moon Strategies e ex-representante comercial adjunto dos Estados Unidos para a China.
“Tudo isso ocorre dentro do contexto mais amplo dos esforços chineses para maximizar sua influência sobre as terras raras para uma variedade de fins comerciais e não comerciais”, disse Moon ao Nikkei Asia.
A cúpula de Gyeongju ocorreu poucos dias depois de Lee ter se reunido com o presidente Donald Trump, ocasião em que solicitou ao líder americano permissão para construir submarinos nucleares.
Em declarações públicas feitas durante o encontro, Lee afirmou que a posse de submarinos nucleares ajudaria Seul a monitorar embarcações chinesas e norte-coreanas em seu território, reduzindo assim a carga sobre as forças armadas americanas, numa aparente tentativa de atender às frequentes exigências de Trump por compartilhamento de custos.
Pequim não contestou publicamente a declaração de Lee, mas, no passado, já utilizou coerção econômica em resposta a iniciativas de Seul para estreitar os laços de segurança com Washington, como em 2016, quando a Coreia do Sul instalou um sistema antimíssil americano chamado THAAD. Analistas estimaram que a retaliação de Pequim causou prejuízos de bilhões de dólares aos setores de varejo e turismo da Coreia do Sul.
Moon, o analista, afirmou que, às vésperas da reunião de segunda-feira, “a China tinha uma lista de concessões que desejava da Coreia do Sul. As possibilidades incluem limites à cooperação entre Estados Unidos e Coreia no setor de terras raras, acesso a algumas tecnologias de semicondutores sul-coreanas e uma declaração de que a Coreia do Sul se opõe à independência de Taiwan”.
No domingo, dia em que Lee partiu para a China, a Coreia do Norte lançou mísseis balísticos nas águas de sua costa leste. O gabinete de segurança nacional da Coreia do Sul convocou uma reunião de emergência em resposta ao lançamento, que, segundo Seul, percorreu cerca de 900 quilômetros.
A Coreia do Norte tem o hábito de realizar tais atos militares, vistos como provocativos pela Coreia do Sul, Japão e Estados Unidos, em momentos em que estão agendados compromissos diplomáticos de alto nível.
O conselheiro de segurança nacional de Lee, Wi Sung-lac, disse a repórteres na semana passada que o plano de Seul era usar a cúpula com Xi para pedir à China que desempenhasse um “papel construtivo” na busca pela paz na Península Coreana, embora não tenha especificado medidas que Seul gostaria que Pequim tomasse.
