O ano eleitoral de 2026 no Brasil começou a todo vapor. Em meio às repercussões sobre o sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelo regime de Donald Trump, o país relembra nesta quinta-feira (8) os três anos dos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. A data fica marcada pelo veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao chamado Projeto de Lei da Dosimetria que, na prática, anistiava parte dos acusados, gerando reações da extrema direita. O cientista político Paulo Niccoli Ramirez aponta que o tema estará presente na campanha presidencial.
Ramirez, professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), avalia que Lula acertou ao revogar o projeto e, na opinião dele, “escolheu a melhor data possível”, pois é necessário fazer com que a memória dos ataques bolsonaristas à Praça dos Três Poderes não seja apagada.
“O que ocorreu três anos atrás foi uma tentativa iniciada por uma mobilização civil que desejava uma intervenção militar e o retorno de Bolsonaro, não mais na condição de presidente, mas de ditador”, lembrou o especialista durante entrevista ao jornal Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.
Ramirez destaca que, ao vetar o projeto, o presidente reforça, ainda, seu compromisso democrático demonstrado durante toda a longa vida pública.
“Pela idade e pela experiência política que tem, Lula não precisa mais demonstrar nada a ninguém: ele é um defensor da democracia. Teve 12 anos para subvertê-la, não fez; o PT teve mais dois mandatos com a Dilma, um deles interrompido pelo golpe parlamentar de 2016; então está mais que claro que o PT é um partido comprometido com a democracia e por conta disso vetou a dosimetria”, resumiu.
Para Ramirez, ao assinar o veto ao projeto de lei nesta quinta-feira, contrariando, inclusive, setores do próprio governo que gostariam que ele fizesse isso em outra data, Lula mostrou que não vai ceder às pressões políticas que vêm do Congresso neste último ano de mandato, especialmente aquelas vindas da extrema direita.
“Lula já se descomprometeu em tentar fazer uma política de boa vizinhança junto ao Congresso, ao Centrão e bolsonaristas, já que é ano de eleição e os próprios bolsonaristas e o Centrão já partiram para o tudo ou nada. Vai ser um ano de muita tensão entre o Congresso e o presidente da República”, apostou.
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