Lula faz pedido de voto durante evento em São Paulo
Lula solicita apoio eleitoral em evento realizado em São Paulo
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez um apelo por votos nesta terça-feira, 3, durante a 2ª Conferência Nacional do Trabalho, em São Paulo. Ao encerrar seu discurso, ironizou a ideia de que sua gestão é resultado de sorte devido aos indicadores econômicos favoráveis e incentivou o público a se preparar para as eleições deste ano. A transmissão do evento foi feita ao vivo pelos canais do governo.
— Considero-me uma pessoa de muita sorte. Sou tão sortudo que o Haddad (ministro da Fazenda) poderia pegar o microfone e afirmar: temos a menor inflação acumulada em quatro anos na história do Brasil, a menor taxa de desemprego registrada, o maior aumento na massa salarial, a maior produção agrícola, tudo isso porque sou sortudo. Portanto, preparem-se para as eleições e votem em quem tem sorte — declarou Lula.
Lula viajou ao estado para visitar uma indústria de biotecnologia em Valinhos, interior de São Paulo, que produz medicamentos de alta complexidade para o Sistema Único de Saúde (SUS), e participar do evento na capital, reunindo representantes de sindicatos de trabalhadores, empresários e do governo. Ele estava acompanhado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e por quatro ministros de estado.
Lula e seus colaboradores evitaram a imprensa nas duas ocasiões. Durante os discursos, elogiaram a tecnologia utilizada na indústria farmacêutica, defenderam o fim da escala 6×1 (seis dias de trabalho para um de descanso), enalteceram as políticas econômicas e os resultados de seu mandato. Também houve apelos contra a violência às mulheres e críticas ao “terrorismo” de empresários que alegavam prejuízo econômico bilionário com a redução da carga horária semanal.
O presidente argumentou que, assim como existem propostas inviáveis de redução da jornada de trabalho de forma geral, também há empresários propagando o “terrorismo” contra essa pauta.
— Não existe uma verdade absoluta. Mesmo que se aprove uma jornada de trabalho específica, posteriormente é necessário chegar a um acordo considerando as particularidades de cada categoria. É crucial termos habilidade, pois o melhor resultado de uma negociação é aquele que beneficia a maioria — afirmou Lula.
Marinho, Haddad e Alckmin mencionaram, entre outros aspectos, que a tendência global é a redução da carga horária e que as novas tecnologias desde a última revisão na Constituição Federal de 1988 deveriam ser consideradas no debate. A senadora Tebet, do Mato Grosso do Sul, cuja mudança de domicílio eleitoral para São Paulo tem sido defendida por alguns aliados, proferiu o discurso mais incisivo.
— Afirmar que o Brasil entrará em colapso com o fim da escala 6×1 é desconhecer a realidade. Dizer que o Brasil não suporta o fim da escala 6×1 é desrespeitar a Constituição Federal, que garante direitos como educação, saúde, moradia, trabalho, renda e lazer nos fins de semana. É viável, plausível e justo. Apenas falta boa vontade, sentar à mesa e proteger o micro e pequeno empresário, que muitas vezes não tem condições — defendeu ele.
Sem anúncio de candidaturas
Contudo, o presidente não atendeu às expectativas de anunciar a candidatura do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ao governo de São Paulo contra o atual governador, Tarcísio de Freitas (Republicanos), aliado de Jair Bolsonaro e seu filho, o senador Flávio, candidato à presidência. Haddad alegou que uma conversa sobre o cenário eleitoral, com participação de Alckmin, ainda está pendente.
Além disso, integraram a comitiva os ministros Luiz Marinho (Trabalho), Márcio França (Empreendedorismo) e Simone Tebet (Planejamento). Com exceção de Marinho, todos os demais são cogitados para concorrer aos principais cargos no estado, seja para governador ou Senado. O presidente nacional do PT, Edinho Silva, também esteve presente nos eventos.
Haddad é o favorito da cúpula do PT para enfrentar novamente o atual governador, Tarcísio de Freitas (Republicanos), enquanto Alckmin é considerado uma alternativa competitiva dentro do partido. No entanto, ambos resistem em assumir a tarefa. O vice-presidente, por exemplo, que já governou o estado quatro vezes, prefere manter sua posição na chapa presidencial, que é alvo de interesse de núcleos governistas de outros partidos, como o MDB.

