O voo que transportava o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, até os Estados Unidos chegou a Nova York na noite deste sábado (03).
Maduro foi sequestrado por militares estadunidenses por volta das 3 horas da madrugada deste sábado e levado à força aos EUA durante um ataque que incluiu bombardeios contra diversos pontos de Caracas e outros estados venezuelanos.
Segundo o jornal New York Times, o presidente venezuelano deve seguir de helicóptero até a prisão Metropolitan Detention Center, no distrito do Brooklyn.
No mesmo momento em que Maduro chegou aos EUA escoltado pelos militares que o sequestraram, milhares de manifestantes se concentram na capital Caracas, ao redor do Palácio Miraflores – sede do governo venezuelano – e outros pontos da cidade exigindo a liberação do presidente do país.
“Exigimos ao império norte-americano que devolva Maduro são e salvo. Estou mobilizado desde a madrugada. Convidamos todo o povo para vir até a avenida Urdaneta para protestar. Exigimos respeito às leis internacionais”, dizia um dos manifestantes.
Em entrevista à emissora multiestatal Telesur, com sede em Caracas, ele afirmou que a promessa de Trump de ocupar a Venezuela “é insólita”.
“Desde que Bolíviar nos deu a independência, nós temos o controle do país. Trump está louco. Para administrar os recursos petroleiros da nossa pátria ele tem que matar os mais de oito milhões de combatentes ativos”, disse.
Uma outra apoiadora chavista declarou que “Trump não governará nunca a Venezuela”. “Aqui governam os venezuelanos. Estamos em pé de guerra para que devolvam nosso presidente. Aqui não há drogas, somos pais e mães de família. Os Estados Unidos não devem se meter na Venezuela.”
Venezuela não será ‘colônia de ninguém’
A vice-presidenta da Venezuela, Delcy Rodríguez, declarou neste sábado (3) que o governo do país segue sob o comando do chavismo. Em pronunciamento à imprensa, ela afirmou que o único presidente da Venezuela é Nicolás Maduro e que há uma união cívico-militar para defender a soberania nacional. Ainda segundo Rodríguez, a Venezuela “não voltará a ser colônia de ninguém”.
“Exigimos a liberação de Nicolás Maduro. As forças de segurança estão ativas para manter nossa integridade territorial, que foi selvagemente atacada no dia de hoje. Nós jamais voltaremos a ser escravos e colônia de nenhum império. O único presidente da Venezuela é Nicolás Maduro Moros”, afirmou.
Ela alertou a comunidade internacional que, se a Venezuela foi alvo de uma ação como essa, outros países também podem ser atacados no futuro.
Ao lado de outros ministros, Rodríguez reafirmou o decreto de estado de comoção externa assinado por Maduro e o entregou à presidenta do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), Caryslia Rodríguez. O decreto criou um Conselho de Defesa da Nação, reunindo representantes dos diferentes poderes do país.
Entenda
Na madrugada deste sábado (3), os Estados Unidos lançaram uma ofensiva militar contra a Venezuela, atingindo alvos civis e militares em Caracas e em outras regiões do país. A ação resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores, que foram levados para os Estados Unidos. O governo venezuelano decretou estado de comoção externa e convocou mobilizações em defesa da soberania nacional.
Durante coletiva de imprensa na tarde deste sábado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a Casa Branca quer administrar a Venezuela até que seja realizada uma “transição democrática e justa”. Ele celebrou o sequestro de Nicolás Maduro como um “ataque extraordinário”. Trump também deixou claro o interesse direto no controle do petróleo venezuelano, afirmando que o recurso foi “roubado” dos Estados Unidos e que será entregue a uma empresa estadunidense.
