Mato Grosso lidera lista de trabalho escravo de 2025
Mato Grosso lidera ranking de casos de trabalho escravo em 2025
O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) divulgou nesta quarta-feira (28) os dados referentes às ações de combate ao trabalho escravo em 2025 no Brasil. No ano passado, o estado de Mato Grosso foi o que registrou o maior número de trabalhadores resgatados, totalizando 607 pessoas.
Desses resgatados, 563 foram encontrados em uma única situação, na obra de uma usina de etanol da empresa 3tentos, sob a responsabilidade da TAO Construtora, localizada em Porto Alegre do Norte, no nordeste do estado, representando o maior resgate do ano.
Em seguida, aparecem a Bahia, com 482 casos, seguida por Minas Gerais, São Paulo e Paraíba, com 393, 276 e 253 casos, respectivamente.
Quanto às atividades em que os trabalhadores estavam envolvidos, as obras de alvenaria se destacam, com 601 resgatados, incluindo o caso de Porto Alegre do Norte; administração pública em geral, com 304; construção de edifícios, com 186; cultivo de café, com 184 resgates, e extração e britamento de pedras e materiais para construção, com 126.
De acordo com a nota do MTE, o trabalho escravo contemporâneo não se limita a setores específicos, podendo ser encontrado na colheita de café, desmatamento, mineração ilegal, indústria têxtil e trabalho doméstico.
No ano de 2025, 68% dos trabalhadores identificados em situação análoga à de escravidão foram resgatados em áreas urbanas, diferente de anos anteriores, quando predominava o resgate em áreas rurais.
No âmbito doméstico, foram realizadas 122 ações fiscais específicas de combate ao trabalho escravo em todo o país, resultando no resgate de 34 trabalhadores.
Os estados que mais realizaram ações fiscais contra o trabalho escravo em 2025 foram São Paulo (215 ações), Minas Gerais (145), Rio de Janeiro (123), Rio Grande do Sul (112) e Goiás (102).
Caso em Porto Alegre do Norte
A operação que culminou no resgate dos 563 trabalhadores em Porto Alegre do Norte teve início após um incêndio no alojamento, em 20 de julho de 2025. Os trabalhadores, insatisfeitos com as condições de trabalho degradantes, provocaram o incêndio no local.
Durante as inspeções realizadas pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), Ministério do Trabalho e Emprego e Polícia Federal entre julho e agosto de 2025, foram identificadas condições precárias de moradia e trabalho, incluindo falta de água potável, alimentação estragada, jornadas exaustivas, e trabalhadores com lesões e doenças de pele provocadas pelo manuseio de produtos.
Os trabalhadores dormiam em quartos superlotados e sem ventilação, compartilhando um ventilador entre quatro pessoas. Os colchões eram finos, sem lençóis, travesseiros ou fronhas. Muitos chegavam a dormir no chão, sob mesas.
A situação piorou nas semanas anteriores ao incêndio, quando a interrupção no fornecimento de energia impediu o funcionamento dos banheiros e bebedouros.
Para lidar com a questão, conforme relato do MPT, a empresa passou a fornecer água turva, retirada do rio Tapirapé e transportada por caminhões-pipa. Os trabalhadores também eram obrigados a tomar banho com canecas e enfrentavam longas filas para usar banheiros sujos.
Na época, a 3tentos emitiu uma nota ao Brasil de Fato, afirmando ter adotado medidas para investigar os acontecimentos e avaliar medidas cabíveis.
A TAO Construtora informou ter estabelecido, em conjunto com o Ministério Público do Trabalho, um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) emergencial e reparatório, sem admitir culpa, com o intuito de oferecer suporte imediato aos trabalhadores.
Dia Nacional do Combate ao Trabalho Escravo
Há 22 anos, em 28 de janeiro de 2004, os auditores fiscais do trabalho Eratóstenes de Almeida Gonsalves, João Batista Soares Lage e Nelson José da Silva, juntamente com o motorista Aílton Pereira de Oliveira, foram assassinados em uma emboscada na zona rural de Unaí, no noroeste de Minas Gerais.
Esse trágico evento ficou conhecido como a Chacina de Unaí. Os trabalhadores foram mortos a mando do fazendeiro Norberto Mânica, conhecido como “Rei do Feijão”, proprietário da empresa Agropecuária Ivae e irmão do prefeito da cidade, Antério Mânica.
Essa data foi oficializada como o Dia Nacional do Combate ao Trabalho Escravo, sendo uma marca na história do Brasil, conforme manifesto publicado pela Associação Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho neste 28 de janeiro.


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