mídia, poder e disputas sem disfarce
Título: comunicação, influência e confrontos claros
A edição 28 da Revista Liberta já foi lançada. Um dos temas principais desta edição é a relação entre mídia e política. A recente tentativa de associar o presidente Lula ao caso Banco Master reacende um padrão antigo: a construção de narrativas que aparentam ser investigativas, mas que na verdade são impulsionadas por campanhas midiáticas contra Lula e o governo. A revista revisita esse histórico e evidencia que esse método não é novo, apenas se adapta conforme avançam a tecnologia e o ambiente digital.
Esse movimento está ligado a outro debate presente na edição: o erro estratégico de menosprezar a influência da grande mídia. Ao analisar episódios recentes da relação entre governo e imprensa, fica claro que concessões feitas em prol da estabilidade frequentemente têm o efeito oposto. Em vez de reduzir as tensões, elas aumentam a disparidade de poder e abrem espaço para novas investidas.
No campo institucional, as investigações ligadas ao Banco Master estão se aprofundando, ampliando o alcance do caso. Indivíduos que passaram por estruturas públicas e agora atuam em empresas privadas estão conectados a interesses que abrangem setores como mineração, saneamento e finanças. O que se revela não é somente uma teia de relações, mas a continuidade entre esferas pública e privada na construção do poder econômico e político.
A edição também amplia a visão para o cenário internacional. A atuação do governo de Donald Trump em organizações multilaterais demonstra que a luta por direitos não se restringe mais ao âmbito interno, tornando-se global. As tentativas de restringir avanços históricos nas políticas voltadas para mulheres evidenciam uma estratégia mais abrangente: reorganizar consensos internacionais para redefinir os limites dos direitos.
Outro aspecto relevante está na reconstrução de trajetórias e narrativas que auxiliam na compreensão do presente. Ao revisitar a atuação de figuras como Leonel Brizola e analisar criticamente os principais personagens da política recente, a revista destaca como memória e poder estão interligados. O intuito não é apenas recontar histórias, mas sim disputar o significado delas.
No campo cultural, a edição apresenta o percurso do acervo Zumví para ilustrar como a produção de imagem também é um terreno de disputa. Ao mudar o foco dos corpos negros da exploração para a autoria, o arquivo rompe com uma tradição histórica e redefine quem narra e como a história é contada.
Este número também marca a estreia da jornalista Nina Lemos como uma das colunistas da Revista Liberta. Ex-colunista do UOL e da Deutsche Welle, em sua primeira coluna Nina aborda um dos temas mais sensíveis do momento: a transformação da misoginia em um modelo de negócio. Ao analisar a chamada “machosfera”, ela revela como os discursos de ódio contra as mulheres deixaram de ser apenas uma manifestação ideológica e passaram a ser tratados como um produto, com audiência, monetização e estratégia.
A edição 28 reúne textos que abordam diversas áreas, mantendo um ponto em comum: a recusa em encarar os eventos como episódios isolados. Cada tema apresentado revela uma camada de um mesmo processo, no qual comunicação, política, economia e cultura atuam de forma integrada.
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