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Militares ficam fora de PEC que acaba com aposentadoria como punição

Militares ficam fora de PEC que acaba com aposentadoria como punição

Militares ficam fora de PEC que acaba com aposentadoria como punição

Por Cleber Lourenço

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou hoje a proposta de emenda à Constituição que revoga a aposentadoria compulsória como punição disciplinar para juízes e membros do Ministério Público. No entanto, a alteração central aprovada exclui os militares dessa medida, destacando o aspecto político limitado do Congresso.

A exclusão dos militares da proposta ocorreu após a aprovação de um destaque apresentado pelo senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), que os retirou do alcance da emenda, apesar da relatora, senadora Eliziane Gama (PSD-MA), ter inicialmente rejeitado a emenda.

O Senado fez uma escolha clara ao endurecer punições em áreas menos sensíveis e recuar quando se trata de estruturas historicamente protegidas. A aposentadoria compulsória, frequentemente vista como uma “punição com salário”, deixa de ser aplicável a juízes e promotores, mas não afeta os militares.

Em declaração à imprensa, a relatora destacou que a aprovação do texto representa um avanço, embora tenha reconhecido a derrota no que diz respeito aos militares. “Hoje foi dado um passo significativo na CCJ do Senado para corrigir uma distorção histórica no serviço público. É uma medida crucial para eliminar castas no setor público”, afirmou Eliziane Gama.

“Infelizmente, os militares ficaram excluídos desta medida. No entanto, juízes e membros do Ministério Público não serão mais beneficiados com uma aposentadoria compulsória em caso de falta grave. Agora, a decisão está nas mãos do plenário, onde tentaremos restabelecer completamente nosso parecer, incluindo o fim da chamada ‘morte ficta’ para os militares”, completou.

A derrota da relatora no destaque não foi apenas procedimental, mas evidenciou um padrão comum no Congresso: propostas que afetam benefícios e vantagens dos militares enfrentam resistência organizada e, na maioria das vezes, são enfraquecidas ou rejeitadas.

A proposta, proposta pelo ex-senador Flávio Dino, busca substituir a aposentadoria compulsória por sanções mais severas, como a perda do cargo após o devido processo legal. O objetivo declarado é corrigir uma distorção histórica que permitia que agentes públicos punidos continuassem recebendo sua remuneração integralmente.

Com a aprovação do texto, juízes e membros do Ministério Público podem ser demitidos em casos de infrações graves, enquanto para os militares nada muda.

O resultado cria uma clara assimetria dentro do próprio serviço público. Enquanto algumas carreiras enfrentam regras disciplinares mais rígidas, outras permanecem protegidas por um modelo que, na prática, garante a remuneração mesmo em situações de punição.

A proposta agora segue para análise no plenário do Senado, onde precisará ser aprovada em dois turnos por três quintos dos parlamentares. A relatora indicou que tentará reverter a exclusão dos militares, porém, a resistência consistente no Congresso sugere que mudanças nesse sentido enfrentarão desafios.