A Doutrina Monroe 2.0, reativada pelo presidente Donald Trump em sua nova Estratégia de Segurança Nacional de 2025, recoloca a América Latina como zona exclusiva de influência dos EUA, priorizando o hemisfério ocidental sobre outras regiões globais. Essa abordagem atualiza o princípio de 1823, “América para os americanos”, para combater ameaças como a expansão chinesa, narcotráfico e migração irregular. O Brasil, maior economia da região, enfrenta pressões diretas que desafiam sua autonomia diplomática.
Impactos no Brasil
A política externa brasileira perde espaço para manobras independentes, com Washington pressionando para conter investimentos chineses em setores como telecomunicações (exemplo: Huawei e 5G) e recursos naturais como pré-sal, nióbio e Amazônia. Essa dinâmica reacende debates sobre soberania, aproximando forças armadas e isolando regimes como Venezuela, enquanto o país hesita entre alinhamento aos EUA e parcerias comerciais com Pequim.
O alinhamento ideológico durante 2019-2022 já custou liderança regional ao Brasil, transformando-o em coadjuvante de uma agenda hemisférica que prioriza contenção militar e econômica. Agora, com o “Corolário Trump”, tarifas e intervenções podem enquadrar decisões soberanas como ameaças à segurança americana.
Efeitos no Sul Global
Para o Sul Global, especialmente América Latina, a doutrina sinaliza uma reorientação dos EUA para “interdição letal” via Comando Sul (SOUTHCOM), com foco em crime organizado e exclusão de rivais como China, Rússia e Irã. Países como Argentina e Paraguai ganham como aliados preferenciais, enquanto o Brasil arrisca rusgas por laços com nações “não democráticas”. A região vira “front central” na disputa geopolítica, limitando barganhas Sul-Sul via BRICS+ ou CELAC.
Essa estratégia ignora a multipolaridade atual, onde a China oferece infraestrutura sem condicionalidades políticas, fortalecendo autonomia regional. No entanto, provoca reações como maior coordenação Sul-Sul e riscos de instabilidade, com o hemisfério tratado como “quintal” americano.
Desafios e Perspectivas
O Brasil precisa reconstruir uma diplomacia equilibrada, dialogando com EUA, China e Europa sem subordinação, para preservar liderança no Sul Global. A multipolaridade exige visão estratégica que evite vulnerabilidades na nova Guerra Fria hemisférica. Oportunidades surgem em alianças regionais que transformem atenção americana em ganhos autônomos.
