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No Sertão pernambucano, quilombolas ocupam sede do Incra protestando contra assédio de mineradoras e cobrando crédito e titulação de terras

No Sertão pernambucano, quilombolas ocupam sede do Incra protestando contra assédio de mineradoras e cobrando crédito e titulação de terras

No Sertão pernambucano, quilombolas ocupam sede do Incra protestando contra assédio de mineradoras e cobrando crédito e titulação de terras

No interior de Pernambuco, membros de quilombolas ocuparam a sede regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), localizada em Petrolina, na última terça-feira (24). Originários da comunidade de Conceição das Crioulas, em Salgueiro, eles percorreram 260 quilômetros para exigir que o órgão do Governo Federal implemente políticas públicas para a comunidade e tome medidas para proteger o quilombo da invasão de mineradoras em busca de ouro na região.

Um dos líderes da ocupação, Antônio Crioulo, denunciou que sua comunidade “foi recentemente alvo de uma mineradora que pretende explorar, de forma ilegal, os minérios da nossa comunidade”, afirmou o dirigente da Coordenação Nacional das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq). Ele optou por não divulgar o nome da empresa e ainda não respondeu aos contatos da reportagem do Brasil de Fato. “Queremos preservar nosso patrimônio sagrado, nosso território”, complementou Crioulo.

Em 2025, o Serviço Geológico Brasileiro (SGB), empresa pública federal vinculada ao Ministério de Minas e Energia, divulgou um estudo que aponta a existência potencial de ouro em terras entre os municípios de Salgueiro, Verdejante, Serrita e Parnamirim, no Sertão pernambucano.

Comunidade quilombola de Conceição das Crioulas, em Salgueiro (PE) | Crédito: Incra / reprodução

O Brasil é signatário da Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), a qual requer consulta prévia das comunidades tradicionais sobre quaisquer atividades exploratórias que afetem seu território. Conceição das Crioulas é reconhecida desde 1998, pela Fundação Cultural Palmares, como comunidade remanescente de quilombo. Em seguida, a Fundação Palmares titulou 16,8 mil hectares para o quilombo.

Titulação e crédito em destaque

As demandas não se limitam apenas à proteção contra a exploração de mineradoras. “Conceição das Crioulas é uma das primeiras comunidades quilombolas parcialmente tituladas aqui no Nordeste. Mas o processo está parado. Queremos a continuidade da regularização do território e também a liberação de crédito. Mais de 400 famílias aguardam o crédito inicial e mais de 200 aguardam o crédito habitacional”, explicou o dirigente da Conaq. “Estamos muito preocupados com as negligências e a falta de políticas públicas no território, por isso decidimos ocupar o Incra”, destacou Antônio Crioulo.

O vereador de Petrolina, Gilmar Santos (PT), que estava em Brasília (DF) durante a ocupação, manifestou apoio à luta da população negra de comunidades tradicionais por meio das redes sociais, se colocando à disposição para contribuir com articulações junto ao Governo Federal. O parlamentar é o autor do Estatuto de Igualdade Racial e de Combate à Intolerância Religiosa de Petrolina (Lei Municipal nº 3.330/2020), onde defende territórios e comunidades tradicionais de matriz africana.

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